Coalizão Internacional em Santa Marta
A Colômbia está se preparando para sediar uma conferência internacional em abril, cujo objetivo é lançar uma coalizão de países comprometidos com o fim dos combustíveis fósseis. A iniciativa surge em um contexto de crise energética acentuada pela guerra no Oriente Médio, conforme afirmou a ministra do Meio Ambiente colombiana, Irene Vélez, em um pronunciamento feito na terça-feira, 24.
O evento, organizado em parceria com os Países Baixos, acontecerá na cidade caribenha de Santa Marta e foi concebido durante a última COP30, realizada em Belém. O principal foco é reunir nações dispostas a transformar suas economias e reduzir a dependência de petróleo e gás, que são os principais responsáveis pelo aquecimento global.
Até o momento, cerca de 20 países apoiaram a iniciativa, que busca superar a falta de consenso das quase 200 nações presentes na conferência da ONU. A transição para economias menos dependentes de combustíveis fósseis é uma promessa que foi reiterada na COP28, realizada em Dubai no ano passado.
A ministra Irene Vélez indicou que já são 45 os países confirmados para participar do encontro, incluindo nações influentes na produção de hidrocarbonetos, principalmente da Europa e América do Norte, embora não tenha revelado seus nomes.
O foco da Colômbia é formar uma “coalizão daqueles que estão prontos para agir” na eliminação dos combustíveis fósseis, conforme destacou Vélez durante uma reunião virtual com jornalistas da rede brasileira de ONGs Observatório do Clima.
Impacto da Crise no Oriente Médio
A ministra sublinhou a relevância da conferência em um “momento de máxima crise” devido à guerra no Oriente Médio, que não apenas elevou os preços do petróleo, mas também revelou a vulnerabilidade de muitos países que ainda dependem fortemente dos combustíveis fósseis.
Esse cenário crítico levanta preocupações acerca de uma possível crise econômica global. A conferência abordará, entre outras questões, como as nações podem reduzir sua dependência dos países produtores de hidrocarbonetos. Isso inclui discussões sobre a eliminação de subsídios à produção de combustíveis fósseis e a necessidade de ajustar a dívida externa dos países do sul global para facilitar a transição para matrizes energéticas sustentáveis.
Além disso, a Colômbia espera contar com a presença do governador da Califórnia, Gavin Newsom, um destacado defensor de políticas climáticas nos Estados Unidos e opositor das medidas adotadas durante o governo de Donald Trump, que visavam desmantelar essas políticas.
“Newsom está fazendo esforços para se inserir na agenda”, afirmou Vélez, enfatizando a importância do envolvimento dos EUA nas discussões sobre mudanças climáticas.
Relação com a COP30
A conferência de Santa Marta não apenas representa um passo significativo na luta contra os combustíveis fósseis, mas também complementa os esforços da presidência brasileira da COP30. Este processo, iniciado ao final de 2025 em Belém do Pará, visa criar um roteiro internacional para a eliminação dos combustíveis fósseis, que será apresentado na próxima conferência climática da ONU, a ser presidida pela Turquia.
Conforme as nações se preparam para este importante encontro, a expectativa é que a conferência de Santa Marta possa impulsionar ações concretas e compromisso global em prol de um futuro mais sustentável, livre da dependência de fontes de energia poluentes.
