Início da programação cultural nos bairros de Marabá
O Coletivo Consciência Negra em Movimento começou no sábado (22) uma série de atividades que estendem as celebrações do mês da Consciência Negra em Marabá. A iniciativa vai até 20 de novembro, quando se comemora o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, com ações dedicadas à valorização da cultura, da memória e do protagonismo negro na cidade.
Esta programação faz parte da 16ª edição do Festival da Consciência Negra, que neste ano acontece por meio de um projeto apoiado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. O objetivo do coletivo é descentralizar as ações, levando a discussão para dentro dos bairros e envolvendo moradores e grupos que mantêm viva a cultura negra no município.
Oficina gastronômica resgata memórias e saberes ancestrais
Uma das primeiras atividades foi uma oficina gastronômica no bairro Francisco Coelho, conhecido como Cabelo Seco, na Pioneira. Este território tem um papel simbólico na história e formação cultural de Marabá. Durante o encontro, mulheres locais prepararam alimentos ligados às memórias familiares e aos conhecimentos passados de geração em geração.
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Para Erik de Belém Oliveira, integrante do coletivo, a gastronomia é uma forma eficaz de conectar a programação com a memória e os saberes das famílias negras. “A ideia é resgatar essa memória e dar visibilidade a um público que ainda não teve acesso a essa história, conhecendo a trajetória dos nossos ancestrais, avós e bisavós. Além disso, existe a possibilidade de gerar oportunidades financeiras futuras por meio da comercialização dos produtos desenvolvidos aqui”, explica Erik.
A oficina contou ainda com a presença do Grupo de Mulheres do Cabelo Seco, Raiz de Marabá. Ana Luisa Rocha, presidente da entidade, destaca que o bairro foi escolhido exatamente por sua relação histórica com a construção cultural da cidade.
Geração de renda e fortalecimento da autonomia econômica
Além da gastronomia, o festival prevê diversas outras atividades até novembro, buscando que a mobilização cultural ultrapasse a data oficial da Consciência Negra e se consolide ao longo dos meses.
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Fonte: diretodecaxias.com.br
Outro foco importante é a geração de renda. O coletivo acredita que os conhecimentos adquiridos nas oficinas podem ser aplicados na produção e venda de alimentos e outros produtos durante o próprio Festival da Consciência Negra.
Rosemayre Lima Bezerra, integrante do coletivo, ressalta que fortalecer a autonomia econômica das mulheres negras amplia o impacto da programação. “A parceria com o Espaço André busca fortalecer essa autonomia, fundamental para que mulheres negras ocupem espaços de decisão, transformem realidades e conquistem independência”, destaca Rosemayre.
Com essa ampliação no calendário, o coletivo pretende envolver diferentes comunidades e reforçar a presença da população negra nas atividades culturais do município. A programação será concluída em 20 de novembro, com o encerramento do Festival da Consciência Negra.
