Duo Peruano Leva Música Eletrônica a Belém
O duo peruano Dengue Dengue Dengue, que faz sua estreia em Belém, é uma explosão de ritmos que mistura a essência da Amazônia com a psicodelia e influências latino-americanas. O nome da dupla, que ressoa de forma repetitiva, é um reflexo da riqueza de significados que o termo carrega. “Dengue é um ritmo cubano, que Enrique Lynch tocava utilizando uma jante de carro, criando um som metálico bastante característico. Em Lima, a palavra também é usada como gíria para descrever a ansiedade que se sente antes de participar de algo que se ama, comum em festas”, detalham os integrantes, salientando que a repetição amplifica a energia ritualística que permeia suas apresentações.
Outro aspecto marcante do trabalho do duo são as máscaras que utilizam, inspiradas nas festividades tradicionais do Peru. Essas máscaras são reinventadas a cada novo disco ou turnê, reforçando a proposta audiovisual do projeto. “Os vídeos desempenham um papel fundamental, tanto na proposta visual dos shows quanto nos videoclipes. Muitas ideias são desenvolvidas em conjunto, tanto em som quanto em imagem”, comentam os artistas.
Encontro de Culturas e Sonoridades
A cantora, curadora e diretora musical Aíla considera a chegada do duo uma verdadeira ponte simbólica entre culturas. “A vinda do Dengue Dengue Dengue a Belém representa um forte elo entre territórios que já se reconhecem por meio da música. O que surge no Peru encontra no Pará um reflexo vibrante da música eletrônica que brota das periferias, como o tecnobrega”, afirma Aíla.
A passagem do duo pela capital paraense ocorre em um momento onde diferentes referências se cruzam. De um lado, a cena eletrônica latino-americana, sempre em evolução; do outro, uma Amazônia que é criadora de suas estéticas, que variam do tecnobrega a experimentações visuais. Nesse encontro, o público é convidado a dançar enquanto explora diferentes territórios sonoros e visuais.
“Há uma profundidade nesse encontro: uma música eletrônica que respeita suas raízes e, mais ainda, amplifica saberes ancestrais em meio a linguagens contemporâneas”, ressalta Aíla. Ela complementa: “Quando falamos em imersão, estamos nos referindo a vivenciar a cidade e a floresta em múltiplas camadas. A música transforma-se em paisagem, em experiência sensorial, em uma narrativa viva”.
Amazônia Imersiva: Uma Exposição Multissensorial
A apresentação do duo é parte do projeto Amazônia Imersiva, que ocupa a Casa das Onze Janelas, apresentando uma exposição de arte contemporânea que reúne cerca de 30 artistas e coletivos do Brasil e de fora. A experiência é dividida em ambientes imersivos com projeções em 360°, instalações sensoriais e obras que articulam imagem, som e tecnologia, convidando os visitantes a “entrar” nas obras.
Para Roberta Carvalho, artista visual e curadora, o projeto também representa uma disputa de narrativas em relação à Amazônia. “Por séculos, a região foi retratada com imagens de ausência, violência e estereótipos. Agora, estamos projetando nossa presença. Uma presença construída por meio da arte, das tecnologias que desenvolvemos, dos pensamentos que cultivamos e na luta radical pelos nossos imaginários”, afirma Carvalho.
O projeto Amazônia Imersiva é uma realização do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Nubank, em parceria com o British Council e com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Pará.
