O início da cafeicultura no Pará e sua importância histórica
O café que move a economia brasileira começou no Norte, especificamente em Belém, Pará, muito antes do Sudeste se consolidar como polo produtor. Em 1727, mudas de café foram trazidas da Guiana Francesa pelo sargento-mor Francisco de Mello Palheta, em uma missão oficial portuguesa destinada a proteger as fronteiras entre a colônia francesa e a capitania do Maranhão e Grão-Pará, conforme documentos do Arquivo Nacional.
Embora detalhes dessa operação permaneçam pouco claros, como aponta o engenheiro-agrônomo Benjamin Salles Duarte na Revista de Política Agrícola, o Ministério da Agricultura e Pecuária confirma que o café entrou no Brasil oficialmente por Belém. Esse marco abriu caminho para que o país se tornasse a maior potência mundial na produção do grão.
Expansão para o Sudeste e consolidação do Brasil no mercado global
O café demorou quase um século para migrar do Norte para o Sudeste e se firmar como produto estratégico. As primeiras mudas chegaram ao Rio de Janeiro ainda no século XVIII, inicialmente para consumo próprio. A expansão significativa das plantações em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo só ocorreu cerca de 150 anos depois.
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Em 1850, o Brasil já respondia por 40% da produção mundial de café, firmando sua posição como maior produtor global. Essa evolução impactou fortemente a economia regional, gerando renda para milhares de famílias que dependiam da cafeicultura.
Recordes de produção e a cafeicultura atual
Quase 300 anos após a chegada das primeiras mudas ao Pará, o país atingiu sua maior safra histórica em 2026, com 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume representa um avanço de 19,6% em relação a 2025, impulsionado pela bienalidade positiva, que faz os cafezais produzir mais a cada dois anos.
Minas Gerais lidera a produção de café arábica, com estimativa de 34,96 milhões de sacas. Já o Espírito Santo, principal produtor de conilon, projetou 12,1 milhões de sacas, apesar de uma redução de 14,3%. A cafeicultura envolve cerca de 300 mil produtores em aproximadamente 1.900 municípios brasileiros, incluindo Rio de Janeiro e Pará, reafirmando sua relevância econômica e social.
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O ressurgimento do Pará na cafeicultura brasileira
Em 2027, o Pará completará três séculos desde a introdução das primeiras mudas de café. Essa data reacende o interesse científico e econômico pelo estado. Em outubro, a Embrapa divulgou pesquisa sobre cafeeiros cultivados em quintais agroflorestais de cinco municípios no nordeste paraense, destacando a presença do Coffea liberica, espécie rara conhecida localmente como “beirão”.
A Embrapa destaca que, embora essa descoberta seja relevante, não há confirmação definitiva de que esses pés sejam descendentes diretos das mudas originais de 1727. Mesmo assim, esse retorno reforça a ligação histórica e econômica do Pará com a cultura do café, que continua influenciando a rotina e a economia da região.
Ao tomar um café, é interessante lembrar dessa trajetória de quase três séculos e o papel fundamental do Pará e do Brasil na produção global da bebida.
