Pará no mapa da robótica educacional mundial
Uma equipe de estudantes da Escola SESI Ananindeua vai cruzar mais de 17 mil quilômetros para representar o Brasil no FIRST LEGO League (FLL) Asia Open Championship, uma das maiores competições internacionais de robótica educacional. Com idades entre 14 e 16 anos, o grupo Born to Fight embarca rumo a Pequim, China, para disputar entre 11 e 16 de agosto contra aproximadamente 500 equipes de mais de 30 países e regiões.
Primeiros paraenses a garantir vaga na categoria, eles conquistaram a classificação na etapa nacional realizada em São Paulo, em março, onde cerca de 100 times competiram. No evento, a Born to Fight levou o Prêmio Niède Guidon, dedicado ao melhor Projeto de Inovação do Brasil, além do primeiro lugar em Design do Robô, resultados que garantiram o passaporte para a etapa internacional no Oriente.
Inovação amazônica para preservar patrimônio histórico
O desafio da FIRST LEGO League vai muito além da programação de robôs: os estudantes precisam criar soluções para problemas reais. Nesta temporada, com o tema Unearthed, focado em arqueologia e preservação do patrimônio histórico, a equipe paraense desenvolveu o Relicário Amazônia. O projeto combina impressão 3D e tecnologia NFC para facilitar o acesso a peças arqueológicas.
A proposta permite reproduzir artefatos em impressoras 3D para que possam ser manuseados, especialmente por pessoas com deficiência visual. Além disso, chips NFC fornecem informações históricas via dispositivos móveis, ampliando a acessibilidade, democratizando o conhecimento e protegendo as peças originais do desgaste pelo manuseio. “Queremos que qualquer pessoa possa conhecer um artefato arqueológico, entender seu contexto e até tocá-lo, sem colocar em risco o patrimônio original. É tecnologia sendo usada para preservar a memória e tornar o conhecimento mais acessível”, explica Maria Clara Ramos, de 16 anos, integrante da equipe.
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Fonte: edemossoro.com.br
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Robótica que forma competências essenciais para o futuro
O programa internacional FIRST LEGO League estimula crianças e adolescentes a desenvolverem habilidades em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) por meio de desafios práticos. As equipes são avaliadas em quatro aspectos: Desafio do Robô, Projeto de Inovação, Design do Robô e Core Values, que valorizam trabalho em equipe, criatividade, respeito e cooperação.
Além da experiência prática, estudos científicos confirmam os benefícios desse modelo de aprendizagem. Uma pesquisa publicada em 2022 no Journal for STEM Education Research, da editora Springer, analisou 26 estudos entre 2004 e 2022 e constatou que a participação na FLL aumenta o interesse por carreiras em STEM, desenvolvendo competências essenciais para o século XXI, como criatividade, colaboração, comunicação e pensamento crítico. Os efeitos são ainda mais relevantes para meninas e grupos historicamente sub-representados.
Formação que conecta educação e mercado de trabalho
Dário Lemos, superintendente do SESI Pará, destaca que a robótica educacional coloca o estudante como protagonista da aprendizagem. “Eles deixam de apenas consumir conhecimento para investigar, criar soluções, testar hipóteses, trabalhar em equipe e comunicar ideias. Essas competências são fundamentais não só para o mercado de trabalho, mas para formar cidadãos capazes de enfrentar desafios em um mundo em constante transformação”, comenta.
A transformação é visível também para as famílias. Silvana Perez, mãe da estudante Clara Perez, relata que a robótica mudou a relação da filha com os desafios. “Clara era tímida e evitava falar em público. Hoje, ela defende suas ideias com segurança, resolve problemas e até apresenta projetos em inglês para avaliadores internacionais. Independentemente do resultado da competição, essa experiência já é uma grande conquista”, relata.
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Fonte: amapainforma.com.br
Experiência global para estudantes amazônidas
O caminho da Born to Fight integra uma série de experiências internacionais que estudantes do SESI Pará têm vivido. Segundo Márcia Arguelles, gerente de Educação do SESI Pará, o objetivo é ampliar oportunidades para que alunos tenham vivências globais. “Nos últimos anos, nossos estudantes participaram de competições internacionais de robótica, pesquisas com a NASA e programas acadêmicos da Universidade Harvard. A ida da Born to Fight ao mundial mostra que nossos alunos estão prontos para dialogar com o mundo e que uma educação de qualidade abre portas antes inimagináveis”, afirma.
Alan Raiol, técnico da equipe há quatro temporadas, ressalta que a classificação é fruto de anos de dedicação. “Chegar a um mundial é consequência de um trabalho iniciado há seis anos. A cada temporada, a equipe evoluiu em pesquisa, programação, projeto de inovação e trabalho em equipe. Esses jovens mostram que a Amazônia produz ciência, tecnologia e inovação capazes de competir globalmente”, destaca.
A delegação paraense parte no domingo (9), com 12 integrantes entre estudantes, técnicos, professores, gestores e equipe de comunicação, pronta para representar a região em um evento que une tecnologia e educação com impacto real no futuro dos jovens e da ciência regional.
