Exportações para os EUA em queda e o impacto no Pará
As exportações do Pará para os Estados Unidos sofreram uma retração de 25,8% nos primeiros sete meses de 2026. Nesse período, o aumento das tarifas americanas sobre produtos brasileiros coincidiu com uma redução significativa no valor exportado. De janeiro a julho, o Estado vendeu US$ 503,6 milhões ao mercado dos EUA, uma queda de US$ 175,3 milhões em comparação ao mesmo período do ano anterior. No total de 2025, o Pará havia exportado cerca de US$ 1 bilhão para os Estados Unidos, o que representou 4,3% das exportações paraenses, segundo dados do Comex Stat.
Setor produtivo avalia estratégias diante do cenário
Essa diminuição ocorre em um momento de pressão para os exportadores brasileiros, que enfrentam o desafio de decidir se absorvem o custo extra das tarifas, repassam aos consumidores ou buscam novos mercados. Para o Pará, essa redução já indica uma mudança importante na relação comercial com os americanos, embora especialistas considerem que ainda é cedo para mensurar todos os efeitos das tarifas impostas.
No acumulado até julho, as exportações totais do Pará somaram US$ 15,2 bilhões, alta de 13,5% sobre igual período de 2025. Isso mostra que, apesar da queda nas vendas para os EUA, o Pará mantém crescimento nas exportações, sustentado principalmente pela mineração e produtos agropecuários.
Minério de ferro e soja lideram pauta exportadora
Entre os produtos exportados, o minério de ferro e seus concentrados correspondem a 39,4% do total entre janeiro e julho. Minérios de cobre e concentrados representam 22,9%, seguidos pela soja, que responde por 10%. Alumina e carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, aparecem com 5,1% e 4,8%, respectivamente. A diversificação da pauta e dos mercados é apontada pelo setor como estratégia fundamental para reduzir a dependência dos Estados Unidos.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Carne e insumos importados sob atenção
Guilherme Minssen, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), destaca a carne como um produto que merece observação diante das mudanças no comércio internacional. Ele afirma que, até o momento, os preços não refletem impacto pelas novas tarifas, mas alerta para o aumento dos custos dos insumos importados.
“As principais tarifas serão sobre os insumos que importamos”, explica Minssen. Ele também ressalta que o mercado de alimentos é dinâmico e que o Pará já está acessando novos e importantes importadores, acelerando a busca por alternativas para escoar sua produção.
Frutas tropicais ganham espaço no mercado externo
Entre os produtos com potencial para expansão internacional, as frutas tropicais, com destaque para o açaí, lideram o avanço. Minssen afirma que essas frutas já estão conquistando espaço significativo no exterior, abrindo novas oportunidades para o Estado.
Desafios logísticos e segurança jurídica
Apesar das perspectivas positivas, o setor enfrenta desafios estruturais importantes. A infraestrutura precária, especialmente em estradas e portos, limita a competitividade do Pará. Além disso, a falta de segurança jurídica no campo afasta investidores, segundo Minssen.
“O Pará precisa viabilizar sua logística, que atualmente é nefasta para os produtores rurais”, critica o diretor da Faepa. Ele reforça que superar esses gargalos é fundamental para aproveitar as oportunidades geradas pela diversificação dos mercados.
Perspectivas para o comércio exterior paraense
O futuro próximo das exportações paraenses dependerá tanto da duração das tarifas americanas quanto da capacidade do Estado em redirecionar sua produção para novos mercados. A queda de US$ 175,3 milhões nas vendas para os EUA até julho sinaliza um alerta, mas o crescimento geral das exportações indica que o Pará ainda pode ampliar suas vendas externas.
Em 2025, a relação comercial com os EUA teve saldo positivo de US$ 203,2 milhões. Agora, o setor produtivo monitora se a retração será passageira ou uma mudança definitiva na participação dos Estados Unidos nas exportações do Pará.
A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado do Pará (Sindicarne) foram procurados para comentar os impactos das novas tarifas, mas não responderam até o fechamento desta edição.
