Exportações do Pará ao Oriente Médio em Alta
No primeiro trimestre de 2026, as exportações do agronegócio para o Oriente Médio apresentaram um crescimento notável, mesmo em meio a um cenário de instabilidade geopolítica. Segundo dados fornecidos ao Grupo Liberal pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), o valor das exportações subiu 25,6%, alcançando US$ 121 milhões, em comparação aos US$ 96 milhões do mesmo período do ano passado. O volume também registrou um aumento significativo de 53,48%, passando de 34 mil para 53 mil toneladas, um dado que ressalta a força do setor agropecuário paraense.
Um levantamento da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), em colaboração com a Faepa e com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) via Agrostat, revelou um panorama detalhado do desempenho das exportações por categorias de produtos e países compradores. O estudo foi coordenado pelo pesquisador João Ulisses Barata da Silva.
As vendas de animais vivos e a alta nos embarques de cereais foram fatores primordiais para esse desempenho positivo, com países como Iraque e Jordânia ampliando significamente suas importações de produtos paraenses.
Desempenho do Setor em Meio a Conflitos
A guerra no Oriente Médio, embora desafiadora, não impediu o Pará de expandir sua presença comercial na região. O crescimento expressivo no volume das exportações indica um aumento na demanda por produtos básicos do agronegócio, refletindo um mercado resiliente.
Entre os principais produtos exportados, o segmento de animais vivos (exceto pescados) destacou-se com receitas de US$ 73 milhões no primeiro trimestre de 2026, representando um crescimento de 35,9% em relação ao ano anterior. O volume exportado também cresceu 13,35%, consolidando esse segmento como o carro-chefe das exportações para o Oriente Médio.
Por outro lado, as exportações de cereais, farinhas e preparações experimentaram um impressionante crescimento, passando de apenas US$ 60 mil em 2025 para US$ 3 milhões em 2026, uma alta de mais de 5.300%. O volume, por sua vez, saltou de 486 para 15 mil toneladas, marcando uma mudança significativa no perfil das exportações.
Desafios e Oportunidades no Cenário Atual
Enquanto as carnes apresentaram uma leve retração de 2,39% em valor, caindo de US$ 38 milhões para US$ 37 milhões, o segmento ainda se mantém relevante nas exportações do estado. No entanto, outros grupos, como os produtos oleaginosos e alimentícios diversos, tiveram desempenhos notáveis, com altas de 51,76% e 206,71% respectivamente, indicando uma diversificação positiva na pauta exportadora do Pará.
O Iraque, em particular, se destacou como o principal mercado, com um crescimento impressionante de 282,16% nas importações, saltando de US$ 11 milhões para US$ 43 milhões. A Jordânia também viu um aumento significativo em suas compras, refletindo uma maior demanda por produtos de menor custo.
Impactos Logísticos e Nova Dinâmica de Mercado
Apesar do crescimento, os exportadores enfrentam desafios logísticos e custos elevados. De acordo com Guilherme Minssen, diretor da Faepa, a guerra aumentou as dificuldades na cadeia produtiva, especialmente nos custos de transporte. “O preço dos combustíveis e as taxas de embarque impactaram diretamente nossas operações”, destacou. Ele também mencionou que a dependência do Pará em relação aos mercados árabes persiste, especialmente nas cadeias de pecuária e grãos, que são fundamentais para o agronegócio local.
Frente a essa adversidade, os produtores têm buscado diversificar seus mercados, explorando novas oportunidades na América do Sul e Central, além de manter relacionamentos com parceiros na Europa. Mesmo com um cenário global incerto, a demanda por alimentos no Oriente Médio permanece robusta, o que permite uma continuidade nas exportações.
Análise Econômica e Projeções Futuras
O economista André Cutrim, membro do Corecon PA/AP, analisa que o desempenho positivo das exportações é impulsionado por fatores internos que aumentaram a competitividade do estado. A consolidação de uma base produtiva eficiente e melhorias na infraestrutura logística são essenciais para o crescimento. “O fortalecimento dos corredores do Arco Norte é fundamental”, comentou.
Cutrim também enfatiza a necessidade de cautela diante da continuidade dos conflitos, que podem gerar incertezas e alterar a dinâmica da demanda. “O momento exige prudência dos exportadores”, concluiu.
