Focos de calor no Pará ultrapassam números do ano anterior
O Pará enfrenta uma escalada preocupante nos focos de calor neste mês de outubro. Entre os dias 1º e 12, o estado contabilizou 4.397 focos, ultrapassando os 3.682 registrados em todo o mês de outubro de 2025. Esse volume parcial supera em 19,4% o total de focos do ano passado, com uma média diária de aproximadamente 366 focos, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados pelo UOL.
Regiões e municípios mais afetados
A concentração dos focos está no oeste e sudoeste paraense. No levantamento dos dias 11 e 12 de outubro, os dez municípios brasileiros com maior número de detecções estavam no Pará, liderados por Altamira, com 124 focos. Itaituba registrou 116 focos, seguida de Uruará com 113. Outros municípios com números expressivos foram Aveiro (93), Santarém (69), São Félix do Xingu (66), Mojuí dos Campos (65), Placas (61), Óbidos (55) e Rurópolis (45).
Impactos climáticos e situação de emergência
O avanço dos incêndios ocorre em meio a condições climáticas críticas. Boletins do Inpe indicam uma tendência de clima seco e temperaturas acima da média para o centro-norte do país entre outubro e dezembro, com 95% de chance da atuação de um El Niño muito forte. Essa condição agrava a estiagem, reduzindo ainda mais os níveis dos rios.
Em setembro, os municípios de Monte Alegre e Rurópolis decretaram situação de emergência. Monte Alegre, por exemplo, declarou nível II de alerta por meio do Decreto nº 480/2026. Na zona urbana de Santarém, o Corpo de Bombeiros registrou 55 ocorrências de incêndios em terrenos baldios e vegetação seca entre junho e agosto, reforçando a preocupação local.
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Mobilização comunitária para conter incêndios
Na região de Arapixuna, em Santarém, especialmente nas comunidades do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, moradores e lideranças organizaram frentes voluntárias para combater incêndios de grandes proporções entre os dias 13 e 14 de outubro. Relatos apontam que o fogo iniciou no fim da tarde e avançou rapidamente pela vegetação seca, destruindo milhares de árvores e habitats.
A dificuldade de acesso inicial das autoridades ao local levou à atuação conjunta de moradores, da Paróquia Santana e do movimento de pescadores. Eles realizaram contenção direta das chamas e abriram aceiros com o apoio dos militares para impedir a propagação do fogo. A preocupação permanece nas comunidades, pois as árvores ressecadas pelo calor extremo facilitam novos focos de reignição.
Brigadas florestais monitoram áreas protegidas
A pressão sobre áreas protegidas, como a Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, é evidente. Em setembro, a Brigada de Alter relatou mais de 100 focos de calor nos primeiros dez dias do mês, índice elevado para o período. A brigada aponta que as ocorrências estão associadas à abertura de estradas, ocupação irregular e, principalmente, à interferência humana, como limpeza inadequada de roçados e indícios de grilagem.
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Fonte: diretodorecife.com.br
Brigadistas florestais da Rede de Brigadas do Baixo Tapajós, que atuam em regiões como a APA, o Território Indígena Borari, a Floresta Nacional (Flona) Tapajós, a Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e o PAE Lago Grande, reforçam que a principal causa dos incêndios é humana.
Resposta do poder público para enfrentar a crise
Para conter essa emergência ambiental, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA) e as prefeituras de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos estabeleceram uma sala de crise integrada. A equipe utiliza veículos de tração, drones para monitoramento e tratores de esteira cedidos pelos municípios para abrir aceiros e impedir a expansão dos incêndios.
A Secretaria Municipal de meio ambiente (Semma) de Santarém mantém operações de fiscalização em áreas sensíveis, incluindo Alter do Chão, Ponta de Pedras e Capadócia. Denúncias de crimes ambientais e queimadas irregulares podem ser feitas pelo WhatsApp (93) 99209-4670. Em situações de emergência com fogo, o contato oficial é o 193 dos Bombeiros.
