Artista Compartilha Inspiração em Belém
A conexão entre a arte e a natureza frequentemente revela-se de formas surpreendentes, transformando cenários cotidianos em letras que marcam gerações. Para quem habita a Amazônia, essa relação é palpável, pois o ambiente rico e vibrante serve como combustível para criações notáveis, tocando até mesmo ícones da música brasileira. Um desses casos é o de Gilberto Gil, que encontrou em Belém não apenas um refúgio, mas também a inspiração para uma das canções mais emblemáticas do repertório musical brasileiro.
No último sábado (21), durante seu show em Belém, parte da turnê de despedida intitulada “Tempo Rei”, Gil encantou o público com três horas de apresentação, repleta de clássicos. No entanto, um dos momentos mais marcantes aconteceu quando ele anunciou a execução de “Refazenda”. O cantor então compartilhou com o público a história que deu origem à canção, revelando a conexão especial que possui com a cidade.
Lançada pela primeira vez em 1975, “Refazenda” surgiu a partir de uma visita ao distrito de Icoaraci, em Belém. Gil recordou como a composição tomou forma durante um final de semana na casa de veraneio do advogado Dr. Egydio Salles, onde ficou hospedado junto com seu filho, Egydio Salles Filho, carinhosamente conhecido como “Egidinho”. “O Dr. Egydio tinha uma casa de veraneio, e eu fui passar lá um fim de semana com seu filho e comecei a escrever Refazenda. Depois, lá na Bahia, eu terminei”, contou o artista, relembrando a memorável passagem. Dr. Egydio Salles foi um destacado advogado e ex-presidente da OAB-PA durante a Ditadura Militar, enquanto Egidinho se destacou como professor de Direito na UFPA e ex-Procurador Geral do Município de Belém.
Em tom descontraído, Gil acrescentou, ao concluir seu relato: “E nisso ela está aí há muitos anos. Ela é meio maniçoba: meio Pará, meio Bahia”. A expressão remete à famosa iguaria que simboliza a ligação entre as duas regiões, ressaltando não apenas a diversidade cultural, mas também a forma como essas influências se entrelaçam na música brasileira. Ao final, o artista celebrou a alegria de sua composição com um brinde: “Viva à maniçoba!”.
