Pará inicia greve dos bancários e pressiona por melhores condições
O Pará se tornou o primeiro estado do Brasil a entrar em greve dos bancários na campanha salarial de 2026. A paralisação começou à meia-noite desta sexta-feira (4) e segue por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato dos Bancários do Pará, cerca de 7 mil trabalhadores devem participar do movimento, com exceção dos empregados do Banpará. A decisão foi tomada em assembleia na última segunda-feira (31), após a categoria rejeitar a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Reajuste salarial e condições de trabalho estão no centro da disputa
Os bancários do Pará estão distribuídos em agências por todo o estado, mas a insatisfação principal é com o índice de reajuste oferecido. A proposta prevê a reposição integral da inflação pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), acrescida de 0,6% de aumento real para 2026 e 2027. O IBGE divulgará o índice definitivo da inflação no dia 11 de setembro, com expectativa próxima a 4%. Para a categoria, esse percentual é insuficiente.
Tatiana Oliveira, presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, destaca que a proposta foi considerada desrespeitosa e insuficiente após 13 rodadas de negociação. O movimento busca forçar uma reabertura das negociações com os bancos para apresentar uma proposta mais vantajosa.
Além do reajuste, a categoria reivindica melhorias nos planos de saúde, que têm aumentado de custo e reduzido a remuneração efetiva dos trabalhadores. A dirigente também aponta o adoecimento e a pressão por metas, agravados pelo fechamento de agências e redução do quadro de funcionários, como fatores que motivam a paralisação.
Lucros altos e fechamento de postos refletem no desgaste dos bancários
Em 2025, os cinco maiores bancos do país — Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander — somaram lucro líquido de R$ 124 bilhões, conforme dados do sindicato. Desde 2016, o setor eliminou mais de 83,5 mil empregos e fechou mais de 8,5 mil agências desde 2015, intensificando a sobrecarga de trabalho.
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A bancária Lorena Bittencourt, que atua há 13 anos na Caixa, relata que a digitalização dos serviços não foi acompanhada por uma estrutura adequada para atender clientes e funcionários. A redução das equipes contrasta com o aumento das demandas digitais, gerando desgaste e pressão mental constante.
“Estamos sobrecarregados, lidando com sistemas ineficientes e a pressão dos clientes”, explica Lorena. Ela também destaca o cansaço emocional agravado pelo aumento dos custos do plano de saúde.
Paralisação pode afetar atendimento, mas sindicato alerta para riscos nos canais digitais
Tatiana Oliveira reconhece que a greve pode causar transtornos aos clientes, porém reforça que o atendimento já sofre com o fechamento de agências e a diminuição do quadro de funcionários. Ela critica a transferência crescente dos serviços para canais digitais, que podem expor clientes a golpes e fraudes.
“Muitas pessoas acabam vítimas de fraudes por serem obrigadas a se autoatenderem digitalmente, onde quadrilhas especializadas atuam”, alerta a presidenta do sindicato.
A adesão à greve é considerada significativa, mas não total, o que deve manter algumas agências abertas e o funcionamento dos canais digitais e autoatendimento.
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Clientes sentem os impactos e aguardam desdobramentos
O reflexo da paralisação já se manifesta entre os clientes. Eliana Oliveira, diarista, levou a mãe a uma agência para resolver um problema no cartão, mas a greve impediu o atendimento. “Viemos gastar dinheiro com Uber e não conseguimos resolver nada”, desabafa.
Pará aguarda adesão de outros estados para ampliar mobilização
O Sindicato dos Bancários do Pará espera que outras bases sindicais aprovem a paralisação e se unam ao movimento nacional. Tatiana Oliveira aguarda os resultados das assembleias em outros estados, que devem ser divulgados durante esta sexta.
A dirigente acredita que a pressão da greve pode levar os bancos a reabrir as negociações, embora ainda não haja rodada marcada com a Fenaban.
No Banco da Amazônia (Basa), as negociações seguem em Belém. A proposta apresentada acompanha os índices da Fenaban, com reposição do INPC e 0,6% de aumento real para 2026 e 2027. Os empregados devem votar sobre a oferta em assembleia virtual nesta sexta-feira (4).
O Grupo Liberal aguarda posicionamentos da Fenaban, Banco da Amazônia e Caixa Econômica Federal sobre a greve.
