Condições Precárias e Falta de Privacidade
No Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Belém, mães que acabaram de dar à luz enfrentam sérios problemas de infraestrutura. As críticas se concentram, principalmente, na sobrecarga do hospital, que tem levado a aglomerações em salas improvisadas, onde não há privacidade nos atendimentos médicos. Avaliações de obstetras ocorrem em um ambiente coletivo, sem biombos ou divisórias, o que é particularmente preocupante durante exames nas mamas e em áreas íntimas das pacientes.
Uma das mães relatou que, em uma das salas, cerca de 18 mulheres estavam acomodadas, todas acompanhadas. As pacientes se viam obrigadas a compartilhar macas de metal estreitas, com colchões finos e, em alguns casos, sem colchão apropriado. Já os acompanhantes eram relegados a cadeiras de plástico, sem conforto.
Resposta do Hospital e Prioridades de Atendimento
Em resposta às queixas, a Secretaria de Estado da Saúde do Pará (Sespa), que administra a unidade, afirmou que a situação é pontual. A Secretaria explicou que a prioridade é dada a mães com bebês internados em UTIs neonatais, que têm mais urgência na liberação de leitos. Contudo, a demanda de atendimentos e partos aumentou consideravelmente na primeira semana de abril, levando ao uso temporário de uma sala extra para gestantes e acompanhantes.
As mães também relataram que as mulheres com bebês na UTI neonatal estão sendo acomodadas em macas no corredor devido à falta de leitos. Além disso, a ausência de banheiro dentro da sala tem causado dificuldades, já que as mulheres precisam se deslocar até o final do corredor para usar o sanitário, uma tarefa árdua para aquelas que passaram por parto normal ou cesariana.
Condições dos Banheiros e Alta Prematura
Os relatos das pacientes sobre as instalações sanitárias são alarmantes. Um dos banheiros não tem barras de apoio nem tranca na porta, forçando as mulheres a improvisar uma forma de se sentir seguras. Além disso, as lixeiras estão ausentes, o que faz com que a troca de absorventes aconteça na própria sala, na presença de outras pessoas, causando desconforto e constrangimento.
Outro ponto crítico mencionado por algumas mães é que algumas mulheres receberam alta após passar até dois dias em área de ambulação, sem serem transferidas para os leitos. A informação repassada por uma enfermeira indicava que as visitas só seriam permitidas após a transferência, que nem sempre acontece, aumentando a angústia das famílias.
Sobre o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos
Localizado no distrito de Icoaraci, o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS) é a maior unidade pública de saúde da rede estadual no Pará. Com uma infraestrutura de 28 mil metros quadrados, a unidade conta com cerca de 340 a 360 leitos, incluindo UTIs neonatais e pediátricas, e atende uma grande demanda, não só de Belém, mas de todo o estado, com foco em áreas de média e alta complexidade.
O hospital se destaca como referência no atendimento às mulheres e crianças, oferecendo serviços de urgência obstétrica, ginecológica e pediátrica, além de outras especialidades, como neurocirurgia e urologia. Diante das recentes reclamações, a gestão da unidade terá que encontrar soluções urgentes para garantir conforto e dignidade a suas pacientes.
