Inovação e Desenvolvimento Industrial em Debate
Belém recebe, nesta terça (11) e quarta-feira (12), a etapa Norte da Jornada Nacional de Inovação da Indústria. O evento é promovido por entidades do setor produtivo e reúne líderes empresariais, especialistas e instituições de fomento para discutir estratégias de inovação, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico voltadas para fortalecer a indústria na Amazônia.
A iniciativa tem como objetivo criar soluções que ampliem a competitividade da indústria regional, incentivem novos modelos de negócios e agreguem valor às cadeias produtivas do Norte, que historicamente têm sido marcadas pelo extrativismo.
Pará: Rumo à Inovação
Segundo Alex Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), sediar a etapa regional do evento é uma oportunidade valiosa para trazer o estado para o centro das discussões sobre inovação industrial e reposicionar a economia paraense. Para ele, “o evento tem uma dupla inovação. Primeiramente, ao colocar o Pará em evidência, demonstra um legado da COP 30 pela participação efetiva da região Norte”.
Carvalho acredita que é crucial transformar o perfil produtivo local, ressaltando que “há décadas não conseguimos superar o desafio de deixarmos de ser meros fornecedores de matérias-primas e nos tornarmos um território de inovação que agrega valor aos nossos produtos”.
Ele enfatiza a importância da articulação entre ciência, tecnologia e investimentos para consolidar esse processo. “É uma junção de forças, um ponto de convergência em prol de um desenvolvimento que acreditamos ser verdadeiramente sustentável”, afirmou.
Desafios da Inovação no Pará
Entretanto, a distância dos principais centros de pesquisa e tecnologia do país representa um obstáculo significativo para o avanço da inovação na indústria paraense. Carvalho explica que, embora o estado tenha superado a fase de invisibilidade no ecossistema de inovação, ainda é necessário fortalecer a integração entre iniciativas públicas e privadas.
“A inovação é um processo que envolve testes, mas depende de fatores de alinhamento. Não adianta ter boas ideias e um ambiente favorável se não houver convergência de ações para que as coisas realmente aconteçam dentro do nosso território”, disse ele, ressaltando que a criação de um ambiente propício à atração de investimentos é fundamental. “Precisamos unir ciência, tecnologia e aplicação, todos ligados à harmonia e à atração de investimentos para que os negócios prosperem”, completou.
Escuta Nacional e Demandas Estruturais
A Jornada Nacional de Inovação da Indústria faz parte de um movimento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que busca ouvir empresários, especialistas e a sociedade em diversas regiões do Brasil. Segundo Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, o processo envolveu consultas com milhares de pessoas.
“As indústrias brasileiras estão viajando pelo país para escutar as pessoas e entender o que precisam fazer para desenvolver novos negócios”, afirmou. Gomes destacou que as demandas mais frequentes estão relacionadas à infraestrutura, à formação de talentos e ao acesso a investimentos. “A infraestrutura de São Paulo é diferente da que temos aqui. Então, o que está faltando? Energia? Logística? Internet?”, questionou.
Outro desafio a ser enfrentado é a “evasão de cérebros”, que ocorre quando profissionais qualificados deixam a região em busca de oportunidades em outros centros. “Como manter esses talentos aqui? Quais projetos estratégicos podem ser desenvolvidos para isso?”, avaliou Gomes.
Ele finalizou enfatizando que o desenvolvimento tecnológico deve estar conectado ao impacto social. “No fim das contas, como conseguimos trazer desenvolvimento social para a região? As demandas da população precisam ser atendidas”, concluiu.
Integração com Startups para Impulsionar Inovação
A aproximação entre startups e indústrias é uma estratégia promissora para fomentar a inovação no estado. De acordo com Renata Batista, gerente de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, o potencial da região está intrinsicamente ligado à riqueza de recursos naturais e às cadeias produtivas locais. “Possuímos uma grande vocação estabelecida, que é a nossa riqueza em recursos naturais, associada à potencialidade do setor industrial e ao apoio do Sebrae, o que oferece infinitas possibilidades”, ressaltou.
Renata mencionou exemplos de startups que já estão colaborando com o setor produtivo, como aquelas que atuam na gestão de resíduos da construção civil, contribuindo para a redução do impacto ambiental negativo. “Essas iniciativas estão agora integradas à indústria”, revelou.
Além disso, existem projetos no campo da educação tecnológica, com edutechs desenvolvendo equipamentos voltados ao setor educacional em colaboração com grandes indústrias. “Essas parcerias são fundamentais para a evolução tecnológica da nossa região”, concluiu.
