Reflexões sobre a Importância da Ciência e das Instituições
Participar do Congresso Internacional Rede de Controle e Pós-COP30 em Porto Alegre foi uma experiência transformadora. Como desenvolvedor de negócios sustentáveis, minha intenção inicial era adquirir mais conhecimento técnico. Contudo, o que recebi foi muito além: uma imersão profunda na força das instituições e na importância vital da ciência no contexto da crise climática. Em uma era marcada pela desinformação e por tentativas de descredibilização dos sistemas públicos, principalmente do Judiciário, ouvir figuras como Juarez Freitas e Carlos Nobre renovou minha confiança nos pilares que sustentam nossa democracia e alimentam a esperança de um futuro melhor.
Os organizadores do evento — incluindo o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, a Audicon, entre outras entidades — não apenas reuniram especialistas, mas criaram um espaço interinstitucional para fomentar o diálogo e fortalecer a rede de controle. Esse esforço foi palpável em cada painel e palestra, e me fez acreditar que o Brasil pode se tornar uma referência global em auditoria climática e governança pública. A presença de autoridades de relevância nacional e internacional sublinhou a gravidade do desafio que enfrentamos e a seriedade do encontro.
Juarez Freitas trouxe uma reflexão ética e filosófica que me marcou profundamente. Ao discutir o conceito de direito intergeracional, ele enfatizou que nossas decisões não afetam apenas o presente, mas reverberam nas vidas das futuras gerações. Essa visão amplia a responsabilidade de todos — governos, instituições e cidadãos. A necessidade de pensar além de soluções imediatas é evidente; devemos traçar políticas que assegurem a sobrevivência e dignidade daqueles que ainda estão por vir. Essa perspectiva fez-me reconsiderar a relevância do meu trabalho em negócios sustentáveis, que só tem valor se alinhado a essa lógica de justiça entre gerações.
Por outro lado, Carlos Nobre trouxe a força da ciência ao debate. Sua palestra sobre os riscos climáticos foi um alerta claro: não podemos mais hesitar. Ele detalhou os pontos críticos de não retorno na Amazônia e os impactos globais das mudanças climáticas, argumentando a favor de políticas públicas baseadas em evidências científicas. É importante lembrar que Nobre já colaborou com o Papa Francisco em discussões sobre a crise ambiental, defendendo que ciência e ética devem caminhar juntas. Sua atuação no congresso reafirma que o Brasil possui cientistas de destaque global que não só investigam os riscos, mas também se comprometem a buscar soluções.
Enquanto absorvia essas informações, ponderava também sobre o papel do cidadão nesse contexto social que compõe nossa nação. Não somos meros observadores; somos participantes ativos na engrenagem que sustenta a democracia e a governança climática. Um cidadão consciente exerce fiscalização, exige responsabilidade, participa e legitima o trabalho das instituições. Sem essa participação, qualquer sistema público corre o risco de se fragilizar. Foi estimulante perceber que, mesmo em tempos de desinformação, existe espaço para o fortalecimento da cidadania e a construção de um futuro mais justo e sustentável.
Os tribunais de contas e os ministérios públicos, juntamente com as promotorias, têm se destacado como guardiões da transparência e da legalidade. Eles asseguram que os recursos públicos sejam utilizados de forma correta e que compromissos internacionais não se percam em meros discursos. Em tempos de ataques às instituições, compreender o papel desses órgãos equivale a enxergar uma barreira de proteção contra a erosão da confiança social.
Ao final do congresso, saí com a sensação de ter recebido muito mais do que buscava. Meu objetivo era melhorar meus conhecimentos técnicos, mas encontrei uma reafirmação do valor das instituições, da ciência e do papel do cidadão. Quando direito, ciência e controle público se unificam, forma-se uma força capaz de enfrentar até os maiores desafios climáticos. Assim, compreendi que minha atuação como desenvolvedor de negócios sustentáveis só se justifica dentro deste ecossistema institucional robusto, que garante que a sustentabilidade não seja apenas um conceito, mas uma prática concreta.
