Explorando o papel do ex-Presidente na promoção da leitura e questões educacionais
Na última quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa fez sua estreia solene na tribuna presidencial da Assembleia da República, onde participou das comemorações do 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa. Após a sessão, desceu ao hemiciclo e teve a oportunidade de interagir com antigos deputados da Assembleia Constituinte, como o professor Jorge Miranda e o ex-secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Juntos, eles posaram para uma “foto de família” em torno do original da Constituição que ajudaram a redigir e aprovar em 1976.
Esse momento, repleto de simbolismo, foi notável para o ex-Presidente, principalmente considerando que menos de um mês antes ele havia passado pelo mesmo local para a posse de seu sucessor, António José Seguro. Aos 77 anos, Marcelo é amplamente reconhecido por sua intensa agenda, que frequentemente desafia os limites do tempo, deixando-lhe pouco espaço para descanso. O ex-Chefe de Estado parece ter adaptado sua vida após Belém, buscando formas de se afastar da política direta. Ele mesmo afirmou não ter intenção de se envolver em discussões políticas.
Marcelo revelou, em uma entrevista ao Diário de Notícias (DN), que recusou diversos convites para ser entrevistado sobre a Constituição de 1976, demonstrando sua recusa em discutir qualquer tema relacionado a revisões ou questões políticas sensíveis. Mesmo durante um episódio conturbado na sessão, em que vários constituintes se retiraram após críticas de André Ventura, Marcelo manteve uma atitude contida, sem deixar transparecer suas emoções na transmissão ao vivo do evento.
No entanto, seu comportamento foi bastante diferente no domingo anterior, quando participou da Feira do Livro de Celorico de Basto, uma cidade a que está vinculado por laços familiares. Durante essa visita, ele presidiu uma assembleia municipal e assistiu a uma peça de teatro encenada por estudantes, interagindo diretamente com escritores como David Machado e Hugo Gonçalves. Essa experiência marcou o início de seu novo capítulo, onde a promoção da leitura se tornou um de seus principais objetivos.
Marcelo planeja atividades em diversas feiras do livro, incluindo a Feira do Livro de Lisboa, e eventos em cidades como Coimbra, Leiria e Viseu, além do Porto, programado para o final do verão. Ele organizou também a Festa do Livro nos jardins do Palácio de Belém, em parceria com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Com isso, busca incentivar a leitura e promover o intercâmbio cultural.
Outra iniciativa importante de seu novo projeto envolve visitas a escolas, onde pretende dialogar com jovens sobre livros e suas vocações, preparando-os para o futuro. Apesar de sua agenda já estar cheia, os convites continuam a chegar a seu gabinete, que está localizado nas proximidades do Palácio de Belém. A equipe que o assiste inclui a assessora Maria João Ruela, uma secretária, um motorista e um grupo de segurança.
Entre os convites que Marcelo recebe, muitos são relacionados a comunidades de emigrantes portugueses e países lusófonos, onde ele sempre dedicou atenção especial, especialmente em sua visita a Moçambique, onde relembrava momentos de sua juventude, uma vez que seu pai foi governador-geral da província. Também são esperadas viagens aos Açores e à Madeira, além de sua participação em uma conferência religiosa fora de Portugal.
Ainda que tenha afirmado que, em questões políticas, não se pronunciará, Marcelo planeja manter um nível de análise e discussão com um público menor do que aquele que o acompanhou durante seus mandatos. Ele tomará posse no Conselho de Estado como membro vitalício e compartilhará suas opiniões sobre “Segurança e Defesa” com o novo presidente António José Seguro.
Questionado sobre a influência de seus antecessores no Conselho, Marcelo evitou compromissos, ressaltando que não gostaria de parecer desrespeitoso. Ele tem um histórico de colaboração com antigos Presidentes, tendo sido conselheiro de Jorge Sampaio e Cavaco Silva, experiência que moldou sua visão política ao longo dos anos.
Ao analisarmos as trajetórias de outros ex-Presidentes, como Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, vemos que cada um seguiu caminhos distintos após deixar o cargo. Eanes, por exemplo, tentou a liderança do PRD, enquanto Soares buscou uma nova atuação na política europeia. Já Sampaio se dedicou a causas humanitárias e a promoção da paz global.
