Conquistas e Desafios na Gestão Ambiental
Após deixar o cargo no Ministério do Meio Ambiente para se candidatar ao Senado por São Paulo, Marina Silva compartilhou um balanço de sua gestão em entrevista ao jornal Valor. A ex-ministra expressou um sentimento de “missão cumprida”, enfatizando os esforços para reverter políticas que haviam sido negligenciadas ou destruídas durante o governo Jair Bolsonaro, bem como a implementação de novas iniciativas.
Em sua análise, Marina destacou a criação de instrumentos econômicos que visam estabelecer novas dinâmicas de desenvolvimento, mencionando que, enquanto nos primeiros mandatos do presidente Lula, entre 2003 e 2010, foi fundamental desenvolver uma política de contenção do desmatamento, agora o foco está na inovação econômica. “Criamos condições para um desenvolvimento sustentável”, declarou.
Um dos resultados mais expressivos mencionados por Marina foi a ampliação do Fundo Clima, que passou de R$ 400 milhões para impressionantes R$ 170 bilhões. Além disso, a reativação do Fundo Amazônia e a implementação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – que foi oficialmente lançado durante a COP30 em Belém, com recursos que podem atingir até US$ 25 bilhões (equivalente a R$ 127 bilhões) – foram destacados como conquistas significativas de sua gestão.
Outro dado importante é que, segundo previsão, em 2026 o desmatamento deve alcançar a menor taxa da série histórica, com 2,8 mil km², superando o recorde de 4,6 mil km² registrado em 2012, conforme análise da jornalista Míriam Leitão no jornal O Globo. Marina vê isso como um reflexo do trabalho realizado em sua gestão.
No entanto, nem todos os aspectos foram positivos. A ex-ministra não hesitou em criticar a rejeição da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, também conhecida como a Lei da Devastação, pelo Congresso Nacional. “Foi uma decisão do Congresso. O governo trabalhou unido até o último momento para encontrar uma solução”, lamentou.
Licenciamento Ambiental: Uma Questão Controversa
Marina Silva foi questionada sobre a licença ambiental concedida pelo IBAMA à Petrobras para a exploração de petróleo e gás na área FZA-M-59, na Foz do Amazonas. Este tema é considerado uma derrota por muitos ambientalistas. A ex-ministra comparou esta situação ao polêmico licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, que contribuiu para sua saída do ministério em 2008. Segundo ela, ambos os processos são distintos.
“A licença foi negada duas vezes, e somente na terceira tentativa, com a total autonomia dos técnicos do IBAMA, foi autorizada a prospecção. A licença para Belo Monte, por outro lado, foi concedida diretamente para a construção do empreendimento”, explicou à Folha.
Marina finalizou sua avaliação destacando que os desafios geopolíticos relacionados ao meio ambiente demandam um comprometimento contínuo e uma abordagem integrada para enfrentar as questões climáticas e de desenvolvimento sustentável. A ex-ministra acredita que, apesar das dificuldades, os avanços são promissores e fundamentais para o futuro do Brasil.
