Jornalista Carlos Mendes morre após revelar fenômeno ufológico no Pará
Faleceu em Belém, aos 76 anos, Carlos Augusto Serra Mendes, jornalista, escritor e historiador que deixou um legado importante na ufologia brasileira. Mendes se destacou por sua coragem em investigar um dos mistérios mais marcantes do país: os eventos ocorridos no município de Colares, no Pará, durante a Operação Prato, ação conduzida pelas Forças Armadas Brasileiras em 1977.
Naquela época, moradores da ilha de Colares relataram ataques por luzes misteriosas no céu, que provocavam ferimentos e marcas pelo corpo. Esse fenômeno ficou conhecido como “Chupa-chupa”. O trabalho de Mendes foi fundamental para dar visibilidade a esses relatos, que até hoje desafiam as explicações oficiais e continuam a intrigar pesquisadores e o público em geral.
Investigação direta e relatos durante a Operação Prato
Durante meses, Carlos Mendes esteve presente em Colares e em outras regiões afetadas, como Santo Antônio do Tauá, Vigia, Viseu e a ilha de Mosqueiro. Em seu Fusca, ele entrevistava as vítimas, conversava com militares envolvidos na operação e analisava documentos oficiais pouco acessíveis. Essa dedicação resultou no livro “Luzes do Medo – Relato de um Repórter na Operação Prato”, que reúne depoimentos e evidências sobre as luzes que causavam queimaduras, fraqueza e desmaios.
Em um dos momentos mais tensos da investigação, Mendes quase foi vítima de um ataque do padre norte-americano Alfredo de La Ó, que tentou atirar nele por acreditar que os discos voadores representavam uma ameaça espiritual. Mesmo diante do perigo, o jornalista manteve sua apuração, enfrentando o silêncio e o sigilo que cercavam o caso.
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Contexto militar e o segredo da Operação Prato
Preocupada com os relatos, a Força Aérea Brasileira enviou uma equipe liderada pelo capitão Uyrangê Holanda para investigar os fenômenos. Inicialmente discreta, a operação ganhou notoriedade na região. Foram produzidos registros militares, fotos e filmagens, porém a maior parte desse material permanece até hoje não divulgada.
O capitão Holanda chegou a afirmar que a Operação Prato encontrou evidências de que as luzes eram naves controladas por inteligência extraterrestre. A morte posterior do capitão, em circunstâncias suspeitas, aumentou as dúvidas sobre o que realmente aconteceu durante a investigação.
Impactos e consequências do fenômeno no Pará
Os relatos de ataques foram tão intensos que locais como a vila de Santo Antônio do Umirizal chegaram a ser quase esvaziados pelo medo dos moradores. Quem permaneceu vivia em constante alerta, armado para se proteger das luzes que surgiam à noite.
Casos como o da senhora Aurora Fernandes, atacada em Belém e que ficou com marcas e traumas, ilustram o impacto físico e psicológico dos eventos. As marcas nos corpos das vítimas indicam a possibilidade de coleta de amostras biológicas, um mistério que permanece sem explicação até hoje.
Operação Prato na mídia e na cultura popular
A série “Investigação Alienígena”, disponível na Netflix, analisa criticamente a cobertura da imprensa brasileira da época, que em sua maioria aceitou a versão oficial da Força Aérea. Carlos Mendes foi uma exceção, defendendo a investigação aprofundada dos fatos. Entre junho de 1977 e agosto de 1978, ele documentou coincidências nos relatos de diferentes municípios do Pará, enfrentando a resistência militar para controlar as informações.
Além disso, Mendes participou do movimento ufológico que defende a abertura total dos arquivos da Operação Prato no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, a divulgação integral desses documentos é essencial para esclarecer um fenômeno que ainda intriga estudiosos e o público.
Legado e últimas contribuições de Carlos Mendes
Antes de falecer, Carlos Mendes preparava uma segunda edição ampliada do livro “Luzes do Medo”, com novos depoimentos e detalhes sobre os fenômenos no Pará. Sua participação recente no programa Carta na Manga, de Paulo Carvalho, no YouTube, reforçou seu compromisso em manter viva a discussão sobre a Operação Prato e os mistérios que cercam a Amazônia.
A morte de Carlos Mendes marca o fim de uma era na ufologia brasileira, mas também ressalta a importância de preservar sua memória e continuar investigando um dos episódios mais enigmáticos da história recente do país.
