Mobilização pela Saúde em Belém
No início desta semana, a luta de servidores e da sociedade civil resultou em uma decisão significativa: o Hospital Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, conhecido como PSM da 14, não será fechado conforme decisão da Justiça Federal. Essa conquista foi fruto de um acordo durante audiência de conciliação, realizada na segunda-feira (13), a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que contou com a colaboração da Defensoria Pública da União (DPU) e dos Conselhos Regionais de Medicina (CRM/PA), Odontologia (CRO/PA) e Psicologia (CRP/10). A Justiça determinou que o município apresente, em um prazo de dez dias, um plano de ação visando melhorias na unidade de saúde.
No entanto, a urgência é palpável, já que a ausência de neurocirurgiões no PSM da 14 tem colocado a vida de pacientes em risco. De acordo com informações da Associação dos Servidores da Saúde do Município de Belém, duas mortes recentes no CTI da unidade ocorreram enquanto os pacientes aguardavam por uma avaliação que nunca chegou. Entre as vítimas estão o adolescente Eloam Guilherme Soares, de apenas 15 anos, e Arinaldo dos Santos, de 61 anos. O serviço de neurocirurgia foi suspenso em 13 de março de 2026, durante a gestão de Igor Normando (MDB), o que representa um retrocesso alarmante no atendimento à saúde.
Diante dessa situação crítica, os servidores decidiram agir e lançaram uma petição pública exigindo a contratação de neurocirurgiões. “A especialidade é crucial para avaliação e realização de cirurgias em casos de traumatismos, quedas, acidentes de crânio e derrames hemorrágicos”, enfatiza a associação, demonstrando a urgência e relevância da reintegração dessa especialidade ao PSM.
A petição, que já está coletando assinaturas, levanta a inquietante questão: “Até quando continuaremos sem a neurocirurgia no maior hospital público de Belém, com sistema de portas abertas? Você vai deixar isso acontecer?”. O documento apela à população para se unir em prol do retorno imediato dos neurocirurgiões ao hospital, que há 103 anos presta atendimento à população carente. “Não permita que a próxima pessoa, seja um amigo ou parente seu, corra o risco de perder a vida por falta deste especialista”, conclui a mensagem da associação, refletindo a gravidade da situação.
