Crescimento e Inovação em Tecnologia Climática
A mudança climática já se faz sentir por meio de eventos extremos como temporais, enxurradas e secas prolongadas. Contudo, essa mesma situação tem impulsionado a busca por soluções inovadoras, favorecendo o desenvolvimento de tecnologias climáticas. Este setor, frequentemente denominado de tecnologia verde ou ambientalmente responsável, utiliza inovação para responder e mitigar os impactos provocados pelas mudanças climáticas. Além disso, promove a resiliência da infraestrutura, contribuindo para uma melhor adaptação da sociedade a essas transformações.
“Essas tecnologias são projetadas para proteger o meio ambiente, reduzindo a poluição e utilizando os recursos de maneira sustentável, além de diminuir as emissões e aumentar a resiliência”, destaca Yago Freire, consultor de projetos do instituto de pesquisa Laclima. O momento atual é marcado pela união de dois setores econômicos que, segundo relatórios recentes do Fórum Econômico Mundial, devem experimentar crescimento significativo até 2030: a tecnologia e a economia verde.
As previsões indicam que, nesse período, as soluções climáticas poderão gerar oportunidades de negócios verdes avaliadas em impressionantes US$ 10,1 trilhões em todo o mundo. Desse montante, aproximadamente US$ 800 bilhões devem ser originados da economia de custos resultantes de investimentos em eficiência hídrica, energética e na circularidade de matérias-primas.
Impulsionadores da Demanda por Soluções Climáticas
Freire também ressalta que a aceleração dessas oportunidades será potencializada por organismos e tratados internacionais comprometidos em enfrentar as mudanças climáticas. Um exemplo é o Programa de Implementação de Tecnologia (TIP, na sigla em inglês), uma das iniciativas acordadas durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro de 2025, em Belém (PA).
“Embora a necessidade de desenvolver novas tecnologias seja contínua, muitas soluções já estão disponíveis. Agora, estamos avançando de uma fase de validação e desenvolvimento para uma nova etapa que requer implementação e escalonamento, garantindo que o máximo de países, cidades e estados tenha acesso às inovações”, complementa Freire.
O TIP se apresenta como uma ferramenta essencial para facilitar o acesso às tecnologias climáticas em países em desenvolvimento e mais vulneráveis, ao mesmo tempo fortalecendo os sistemas nacionais de inovação e promovendo ambientes políticos e regulatórios eficazes. Assim, nações que estão mais preparadas para adotar e disseminar tecnologias climáticas passam a ter melhores condições para mobilizar recursos necessários.
Desafios e Oportunidades no Brasil
De acordo com a plataforma Net Zero Insights, a América Latina atraiu apenas US$ 743,3 milhões em 2024, o que corresponde a menos de 1% dos US$ 92 bilhões disponíveis globalmente em investimentos em tecnologia climática. Apesar desse cenário, o Brasil conseguiu mobilizar R$ 2 bilhões, gerando mais de 5.000 empregos diretos e indiretos, considerando unicamente as climatechs, startups que desenvolvem inovações climáticas escaláveis.
Ana Himmelstein, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Cimatechs, acredita que o Brasil possui as características ideais para o avanço em tecnologia climática, tanto para o mercado interno quanto para o desenvolvimento de soluções com potencial global. “Estamos diante de uma combinação perfeita: uma vasta biodiversidade, centros de pesquisa e universidades de destaque e um ambiente empreendedor maduro”, afirma.
No entanto, um relatório intitulado ‘Destravando o Potencial do Brasil para a Tecnologia Climática’, elaborado pelo fórum em 2025, aponta que o país enfrenta diversos desafios. Para superá-los, é necessária uma articulação coordenada envolvendo governos, setor privado e o ecossistema de climatechs. “O que observamos é que não faltam condições, mas sim a intencionalidade, orquestração e financiamento. A lacuna nos investimentos, especialmente do capital privado internacional, que ainda não percebeu o tamanho da oportunidade, evidencia a necessidade de compreendermos melhor este ecossistema e promover a articulação entre os atores envolvidos”, explica Himmelstein.
O Papel do Setor Privado e Futuras Transformações
Segundo Zé Gustavo Favaro, também dirigente do Fórum Brasileiro de Cimatechs, a organização está colaborando com o Ministério de Pequenos e Médias Empresas (MEP) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolver modelos de financiamento que otimizem o fluxo financeiro e aproximem investidores das soluções disponíveis no mercado. Além disso, o fórum está trabalhando para entender melhor os diferentes setores em que as startups de tecnologia climática atuam, categorizando-as em oito eixos: energia biocombustível, indústria, agricultura e sistemas alimentares, florestas, água e saneamento, gestão de resíduos, finanças climáticas e logística e mobilidade.
“Estamos prestes a passar por uma transformação significativa em nossa civilização, como muitos cientistas já estão alertando. Essa mudança trará alterações comportamentais e transformações no mercado. Acreditamos fortemente nessa direção e temos trabalhado arduamente para isso”, conclui Zé Gustavo.
