Plano Clima: compromisso do agro paraense com a redução das emissões
O Plano Nacional sobre Mudança do Clima (Plano Clima) apresenta 16 ações estratégicas voltadas para o setor agropecuário, com objetivo claro de reduzir as emissões de dióxido de carbono até 2030. Essa iniciativa federal visa promover uma produção mais sustentável, conciliando desenvolvimento econômico com a preservação ambiental.
No Pará, o desafio é particularmente significativo. O estado possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil e abriga São Félix do Xingu, município que lidera o ranking nacional de emissões de gases de efeito estufa, com uma média de 40 cabeças de gado por habitante, segundo dados do SEEG/Observatório do Clima. Esse cenário coloca o Pará como foco central das estratégias para conter os impactos ambientais da agropecuária.
Contexto ambiental e desafios locais
A expansão das áreas de pastagens e lavouras tem sido um dos principais motores do desmatamento na região, ameaçando os biomas locais. Por isso, o Plano Clima enfatiza a importância de priorizar tanto a conservação das florestas quanto o aumento da eficiência produtiva para assegurar a sustentabilidade do setor agropecuário.
Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) reforçam essa urgência, especialmente em São Félix do Xingu, onde o número de cabeças de gado supera a população humana, o que torna o município um dos mais críticos para a implementação das ações do plano.
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Avanços institucionais e desafios a superar
Paulo Camuri, gerente de Ciência do Clima e Inteligência de Dados e Territorial do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), destaca que o Plano Clima representa um avanço ao integrar múltiplos setores em uma política voltada para a mitigação e adaptação climática. No entanto, ele ressalta que o setor agropecuário poderia estabelecer metas mais ambiciosas, conciliando o aumento da produção com a diminuição das emissões.
Estratégias para implementação das ações do Plano Clima
Para viabilizar as 16 propostas, o plano aposta no fortalecimento de políticas setoriais já consolidadas, como o Plano ABC+, Planapo, Programa Florestas Produtivas, plataforma AgroBrasil+Sustentável e critérios atualizados de taxonomia verde. Essas ferramentas devem apoiar os produtores na adoção de práticas agrícolas de baixa emissão.
Camuri enfatiza que o êxito dependerá da melhora das políticas públicas complementares, especialmente da consolidação de sistemas robustos de monitoramento, relato e verificação (MRV). Além disso, destaca a necessidade de ampliar instrumentos financeiros que possibilitem escalar essas práticas, com atenção especial à redução das emissões de metano na pecuária, principal desafio do setor.
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Ineditismo e integração na agenda climática
Um dos pontos positivos do Plano Clima é o caderno dedicado à adaptação dos sistemas produtivos, que conecta a agricultura familiar à transição justa. Essa iniciativa pode facilitar a articulação integrada entre ministérios como Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Agrário. Apesar das lacunas existentes em gestão de riscos e preparo para eventos extremos, o plano marca um avanço ao colocar essas questões em destaque.
Do plano federal ao impacto no Pará
Um dos maiores desafios está na implementação efetiva dos mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e do crédito rural condicionado a critérios climáticos, especialmente para comunidades tradicionais e pequenos produtores isolados. A cooperação entre agentes federais, estaduais e o setor privado será essencial para superar esses obstáculos.
No Pará, o projeto piloto Valoriza TS já beneficia 206 famílias em 10 municípios por meio do programa de PSA. Com o suporte político e financeiro do Plano Clima, a expectativa é expandir essa iniciativa para os 144 municípios paraenses, ampliando os benefícios da preservação ambiental e estimulando práticas sustentáveis em toda a região.
