Integração de Arte e Sustentabilidade em Roraima
Localizado no centro-leste do Estado de Roraima, mais especificamente em Cantá, um município que faz parte da região metropolitana de Boa Vista, existe um espaço que se destaca pelo acolhimento, incentivo à arte e preservação dos valores culturais locais. O Ponto de Cultura Ambiental Comunidade Em-Cena surge como uma iniciativa inovadora, que promove a conexão entre arte, cultura e práticas sustentáveis. Através de atividades como teatro, palhaçaria e ações voltadas para a preservação ambiental, essa organização atua em espaços comunitários e instituições escolares.
O coletivo tem se mostrado essencial para fortalecer a identidade cultural da região, além de trabalhar pela inclusão sociocultural. Para marcar sua presença na cena cultural nacional, o Ponto de Cultura estará representando Roraima na 6ª Teia Nacional, um importante evento que congrega iniciativas culturais do país.
Beatriz Brooks, uma das responsáveis pela iniciativa, compartilha que antes do reconhecimento formal como Ponto de Cultura, o grupo já havia iniciado um longo caminho em projetos sociais, buscando a inclusão utilizando a linguagem gestual como um meio de comunicação. “A validação do nosso trabalho foi essencial, pois nos permitiu instrumentalizar e fortalecer nossas ações”, comentou Beatriz, ressaltando a importância do apoio recebido.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Uma História de Transformação Cultural
A trajetória do Ponto de Cultura tem raízes profundas, iniciando com o grupo Locômbia Teatro de Andanças. Durante anos, a trupe itinerante se apresentou em diversos espaços, compartilhando arte e cultura. Em 2006, após uma longa jornada, o grupo se estabeleceu em Roraima com o objetivo de fomentar a formação de plateia e promover um projeto de longo prazo na região amazônica.
Em 2011, ao completar 25 anos, o Locômbia inaugurou o Espaço Circular de Cultura Malokômbia, um local dedicado a atividades comunitárias que vão desde apresentações artísticas e oficinas até palestras e encontros voltados para o acolhimento de imigrantes. O espaço valoriza tanto a cultura alimentar quanto a filosofia do bem viver, envolvendo diferentes grupos da comunidade, como escolas rurais, indígenas e populações periféricas.
Um jovem destaque do projeto, Kalvinshau Alvino, que é membro da comunidade indígena Canauanim, compartilha sua perspectiva sobre o impacto do Ponto de Cultura: “O trabalho aqui é essencial para disseminar conhecimentos culturais, preservar saberes ancestrais e orientar a juventude a desenvolver projetos que tragam benefícios reais para nossa população”.
Capacitação e Expansão da Rede Nacional de Cultura Viva
Atualmente, o Brasil conta com mais de 15 mil organizações reconhecidas como Pontos de Cultura. Esses espaços têm a oportunidade de acessar políticas públicas de fomento à cultura, por meio do Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura, que é uma ferramenta fundamental da Política Nacional de Cultura Viva (PNCV). Com mais de duas décadas de atuação, a PNCV fortalece iniciativas culturais comunitárias e amplia o acesso a recursos públicos para ações culturais em diversos territórios.
Coordenado pelo Ministério da Cultura, esse cadastro abrange organizações em todos os estados e no Distrito Federal, com um aumento significativo na emissão de certificados — entre janeiro de 2023 e março de 2026, foram mais de 10 mil emitidos, representando um crescimento notável de 246,5% em comparação aos 4.329 certificados concedidos entre 2004 e 2023.
Teia Nacional em Aracruz: Um Encontro para a Justiça Climática
O maior encontro da rede Cultura Viva, a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, ocorrerá entre 19 e 24 de maio de 2026 em Aracruz, Espírito Santo. Após 12 anos de hiato, o evento será realizado pela primeira vez em um território indígena e terá como tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”. Este encontro reunirá agentes culturais, mestres das culturas populares, representantes de comunidades tradicionais e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
A realização deste evento é uma parceria entre o Ministério da Cultura, o Governo do Estado do Espírito Santo, a Prefeitura de Aracruz e a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), com colaborações de diversas instituições, incluindo o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Sesc, TVE, Unesco e o programa IberCultura Viva.
