Preço do açaí apresenta queda em junho, mas segue elevado
O preço médio do litro do açaí consumido em Belém registrou uma redução em junho de 2026, na comparação com o mês anterior, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA). As pesquisas foram realizadas em feiras livres, pontos tradicionais de venda e supermercados da cidade, locais onde o açaí é item básico no consumo da população. Apesar dessa queda, os valores permanecem em níveis historicamente altos, impactando diretamente o orçamento das famílias paraenses.
Variações por tipo de açaí e locais de venda
As análises do Dieese apontam que as reduções nos preços variaram conforme o tipo de açaí — médio e grosso — e os estabelecimentos pesquisados, trazendo algum alívio para os consumidores. Ainda assim, os reajustes acumulados no primeiro semestre de 2026 e nos últimos 12 meses ultrapassam amplamente a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o açaí do tipo médio, o valor médio do litro em junho de 2025 era de R$ 30,25. Em dezembro daquele ano, houve queda para R$ 28,77, mantendo-se estável em janeiro de 2026, com preço médio de R$ 28,82. Durante a entressafra, em maio de 2026, o preço subiu para R$ 41,06, refletindo a menor oferta. Com a melhora da safra em junho, o preço caiu para R$ 35,44, o que representa uma redução de 13,69% em relação a maio. No entanto, o açaí médio ainda acumula alta de 22,96% no primeiro semestre e reajuste de 17,15% em comparação a junho de 2025.
No caso do açaí do tipo grosso, o litro custava em média R$ 46,00 em junho de 2025. Em dezembro daquele ano, o preço recuou para R$ 41,65 e permaneceu estável em janeiro de 2026, com valor médio de R$ 41,95. Durante a entressafra em maio, o preço chegou a R$ 59,19, refletindo a pressão da oferta reduzida. Já em junho, o preço voltou a cair para R$ 55,00, uma queda de 7,08% em relação ao mês anterior. Ainda assim, o açaí grosso acumula aumento de 31,11% no primeiro semestre de 2026 e reajuste de 19,57% nos últimos 12 meses.
Impacto dos reajustes superiores à inflação
Segundo o Dieese, as quedas registradas em junho de 2026 não foram suficientes para compensar os aumentos acumulados ao longo do ano e dos últimos 12 meses. Para ambos os tipos de açaí, os reajustes superam a inflação oficial, que acumulou 3,51% no primeiro semestre e 4,33% nos últimos 12 meses, conforme o INPC do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Diferenças consideráveis entre locais de venda
O levantamento também destaca a variação expressiva nos preços praticados entre os estabelecimentos. Na última semana de junho de 2026, o litro do açaí tipo médio custava entre R$ 20,00 e R$ 34,00 nas feiras livres. Já nos supermercados, o preço variava entre R$ 29,99 e R$ 40,00. Para o açaí grosso, a amplitude foi ainda maior: de R$ 30,00 a R$ 60,00 nas feiras e de R$ 41,99 a R$ 70,00 nos supermercados, o que evidencia diferenças significativas para o consumidor dependendo do local de compra.
Essas oscilações de preço mostram como a dinâmica do mercado do açaí em Belém ainda é bastante sensível, com impactos diretos no bolso dos consumidores e no comércio local, reforçando a importância de acompanhar de perto esses indicadores no cotidiano econômico da região.
