Farinha de mandioca registra queda de preços em Belém, mas vendedores veem impacto limitado
O preço da farinha de mandioca apresentou uma leve queda em Belém durante o mês de abril, segundo dados do Dieese/PA (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O produto, fundamental na alimentação dos paraenses, teve redução de 0,24% em relação a março e acumula uma retração de 25,11% nos últimos 12 meses. No entanto, vendedores de feiras e mercados locais avaliam que essa diminuição ainda é tímida e pouco sentida pelo consumidor final.
A influência da safra e fatores climáticos no preço da farinha
De acordo com o levantamento do Dieese/PA, o quilo da farinha foi comercializado em média a R$ 8,41 em abril de 2026, valor inferior aos R$ 11,23 registrados em abril de 2025. Essa queda acompanha o aumento da oferta da mandioca, que se intensifica entre abril e agosto, período considerado de safra no Pará. A maior disponibilidade do produto ajuda a pressionar os preços para baixo, embora aspectos como as condições climáticas e os custos logísticos ainda exerçam influência direta no mercado.
O estudo também destaca que o preço médio do quilo da farinha caiu de R$ 10,64 em dezembro de 2025 para R$ 8,62 em janeiro de 2026, chegando aos atuais R$ 8,41. Esse movimento reflete a dinâmica sazonal e os desafios enfrentados na distribuição do produto nas feiras livres e supermercados da capital paraense.
Comerciantes relatam queda de preço pouco significativa para consumidor
Apesar do recuo nos valores apresentado pelos dados oficiais, muitos comerciantes confirmam que a redução ainda não foi sentida de forma expressiva nas vendas diárias. Antônio Lima, vendedor local, comenta que a diminuição ocorreu principalmente na farinha importada de outros estados, como Pernambuco.
“O preço da farinha baixou, mas não foi muito. A queda veio principalmente da farinha que vem de fora, de Pernambuco, e também por conta das chuvas”, explicou Antônio. Ele ressalta que as condições climáticas impactam a produção da mandioca, o que pode elevar ou reduzir os custos conforme o volume colhido. “Quando chove muito, a mandioca estraga. Para evitar perdas, é preciso processar tudo, o que acaba subindo o preço”, completou.
O comerciante ainda aponta que a redução dos preços não foi totalmente repassada ao consumidor final. “Quando o preço abaixou, não reduzimos tanto para o cliente. A queda foi mais na farinha de fora”, afirmou. Ele exemplifica que o preço da saca da farinha pernambucana caiu de R$ 200 para R$ 150 nos últimos meses, mas isso não refletiu significativamente no valor final ao consumidor.
Além disso, Antônio acredita que essa fase de preços mais baixos deve ser temporária, estimando que dure cerca de um mês e meio.
Expectativa de novas quedas no preço durante o verão
Rosimeire Nunes, outra comerciante do setor, também aponta que os preços permanecem elevados, mesmo com a tendência de queda. Para ela, o preço da farinha ainda está em um patamar mediano e os valores pagos aos fornecedores continuam altos.
“Ainda não compramos com preço baixo. A saca custa entre R$ 360 e R$ 900. No verão, a farinha costuma baixar, mas aqui isso ainda não aconteceu”, explicou Rosimeire. Ela prevê que os preços devem cair nos próximos meses, chegando a valores próximos de R$ 320 por saca.
Rosimeire também destaca que a farinha proveniente de Bragança segue com preços elevados, caindo apenas de R$ 900 para R$ 800 durante o período de baixa.
Farinha de mandioca permanece essencial na alimentação paraense
Mesmo com a desaceleração dos preços, a farinha de mandioca continua sendo um item de peso na dieta das famílias paraenses, especialmente entre as populações de menor renda. O Dieese/PA projeta que, no primeiro semestre de 2026, os preços devem se manter em níveis mais baixos, com possibilidade de novas quedas pontuais caso a oferta se mantenha elevada durante a safra.
Comparativo dos preços da farinha de mandioca em Belém
Os dados oficiais mostram que o preço médio do quilo da farinha passou por variações significativas nos últimos meses, conforme levantamento do Dieese/PA:
- Abril de 2025: R$ 11,23/kg
- Dezembro de 2025: R$ 10,64/kg
- Janeiro de 2026: R$ 8,62/kg
- Março de 2026: R$ 8,43/kg
- Abril de 2026: R$ 8,41/kg
Essas mudanças representam uma queda de 0,24% entre março e abril de 2026, uma redução acumulada de 20,96% entre janeiro e abril de 2026, e uma queda total de 25,11% nos últimos 12 meses.
O movimento de preços reflete diretamente a oferta e a demanda no mercado local, além dos impactos sazonais e logísticos que influenciam a cadeia produtiva da mandioca no Pará.
