Impacto dos preços na rotina das famílias paraenses
Preparar crianças e adolescentes para o segundo semestre escolar na Grande Belém exige um esforço financeiro significativo das famílias. Uma análise recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA) revela que os preços de itens básicos, como mochilas e cadernos, sofreram reajustes que superam a inflação oficial, comprometendo uma fatia considerável do salário mínimo regional.
Preços elevados e variações entre estabelecimentos
Os preços das mochilas apresentam grande disparidade, variando de R$ 39,90 a mais de R$ 500, dependendo do fabricante, do local de compra e do personagem estampado. Esse valor pode representar até quase 50% do piso salarial nacional. Já os chamados “cadernos inteligentes”, que permitem personalização, custam entre R$ 120 e R$ 160, o que equivale a cerca de 10% do salário mínimo para uma única unidade. Modelos tradicionais com 200 folhas ultrapassam os R$ 60.
O levantamento do Dieese/PA, realizado entre os dias 27 e 30 de julho, analisou cerca de 50 produtos e constatou que a maioria teve alta de preços superior ao dobro da inflação acumulada no período, que foi de 4,6%. Além disso, a oferta de materiais escolares diminui no segundo semestre, já que muitos comerciantes optam por não renovar estoques, vendendo remanescentes com preços elevados e com grande variação entre lojas.
Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA, destaca que a pesquisa de preços permanece como a principal estratégia dos consumidores para enfrentar essas oscilações, já que diferenças de até 20% podem ser encontradas para o mesmo produto.
Alta nos preços de vestuário e materiais escolares
Além dos itens de papelaria, o custo com complementos do fardamento escolar, como calças, bermudas, blusas e calçados, também está em alta, com reajustes superiores a 5% acima da inflação. Essa pressão nos preços impacta diretamente o orçamento das famílias, que precisam lidar com despesas que consomem uma parcela maior da renda disponível.
Entre os produtos que mais aumentaram, destacam-se:
- Gizão de cera Faber Castell (caixa com 12 unidades): alta de 21,39%, passando de R$ 8,32 para R$ 10,10;
- Corretivo líquido Bic (18 ml): aumento de 14,97%, de R$ 7,35 para R$ 8,45;
- Borracha TK branca (pacote com duas unidades): subida de 14,46%, de R$ 8,99 para R$ 10,29;
- Cola Polar (40g): elevação de 14,06%, de R$ 3,20 para R$ 3,65;
- Cartolina branca (folha/unidade): aumento de 13,30%, de R$ 2,03 para R$ 2,30.
Esses reajustes evidenciam o impacto da inflação e da dinâmica de mercado na formação dos preços, afetando diretamente o custo da volta às aulas para as famílias da região metropolitana de Belém.
