Pará movimenta 2 milhões de kg de manga em seis meses
Belém, conhecida como a “Cidade das Mangueiras” pela abundância dessas árvores nas ruas e avenidas, apresenta um cenário distinto quando o assunto é a produção comercial da fruta. Dados da Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa) apontam que cerca de 2 milhões de quilos de manga passaram pelo entreposto nos últimos seis meses. Esse volume equivale a 2 mil toneladas, com uma média mensal de 338 toneladas ou aproximadamente 11,2 toneladas por dia comercializadas na capital paraense.
Produção local é pulverizada e pouco refletida nas estatísticas oficiais
Apesar do volume considerável de manga movimentado, fontes consultadas pelo Grupo Liberal revelam que a produção paraense é voltada principalmente para o mercado local e ocorre de forma dispersa, em pequenas propriedades e na arborização urbana. Isso faz com que uma parcela significativa da produção sequer seja contabilizada nas estatísticas oficiais. Além disso, grande parte das mangas vendidas em Belém, especialmente as variedades mais procuradas, vem de estados produtores do Nordeste e Sudeste do país.
Ceasa confirma média diária de 11,2 toneladas comercializadas
Segundo o diretor técnico da Ceasa, Denivaldo Pinheiro, aproximadamente 2 milhões de quilos de manga foram comercializados pelo entreposto nos últimos seis meses, o que representa 2 mil toneladas no período. A média mensal é de 338 toneladas, ou cerca de 11,2 toneladas por dia, refletindo a importância da central para o abastecimento da cidade.
Modelo de cultivo dificulta contabilização oficial
O pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Urano Carvalho, destaca a grande diversidade de mangas nativas e adaptadas ao Pará, mas ressalta que o modelo de cultivo dificulta a contabilização pela estatística oficial. “No Pará, predomina o cultivo de tipos locais de manga, como a manga bacuri, cametá, falsa cametá, cavalo, jasmine e cerca de 30 outras variedades regionais”, explica.
Ele enfatiza que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera apenas pomares com no mínimo 50 árvores para suas estatísticas, o que não representa a realidade local. “Na maioria das propriedades, existem poucas mangueiras, entre duas e quinze, o que faz com que o Pará apareça como um produtor pouco representativo nos dados oficiais”, afirma o pesquisador.
Urano Carvalho ainda aponta que a produção anual estimada pelo IBGE, de cerca de 30 toneladas, é subestimada. “Se considerarmos apenas as mangueiras na arborização de Belém, a produção já ultrapassaria em pelo menos 10 toneladas, alcançando entre 40 e 50 toneladas por ano”, acrescenta.
Feiras de Belém são abastecidas principalmente por mangas de outros estados
Nas feiras da capital paraense, a oferta de manga aumenta especialmente entre maio e julho, período tradicional de maior disponibilidade, segundo o feirante Josué Messias. Ele comenta que o preço da fruta oscila conforme a procura e a variedade, variando atualmente entre R$ 12 e R$ 15 o quilo, podendo chegar a R$ 18.
Josué explica que as mangas rosa estão em plena safra, enquanto as variedades regionais, como a manga bacuri, apresentaram produção menor neste ano. “A manga bacuri teve uma diminuição na oferta, assim como outras mangas regionais”, destaca.
O feirante também informa que as mangas palmer e tommy, bastante procuradas pelos consumidores, geralmente chegam de outros estados, principalmente São Paulo. “Embora a manga tommy seja cultivada localmente, sua qualidade estética é inferior. As demais variedades vêm de São Paulo e outras regiões. A produção local é concentrada principalmente na manga bacuri e variedades regionais”, esclarece.
Preferência dos consumidores por mangas regionais persiste
Para o feirante Delson Soares, apesar da presença das mangas importadas, a fruta regional ainda é a preferida do público em Belém. Ele aponta que, em julho, as variedades palmer, tommy e rosa estão em maior oferta, sendo que a maioria vem do Nordeste.
Delson observa que a produção local não atende completamente a demanda do mercado. “A manga produzida no Pará não tem a mesma qualidade das que vêm de outros estados, que apresentam um padrão superior”, explica.
Assim, o abastecimento da capital paraense depende, em parte, da importação de mangas de outras regiões, enquanto a produção local permanece dispersa e pouco registrada, apesar da diversidade de variedades e da tradição local na cultura da fruta.
