Ritmo lento de reservas preocupa setor hoteleiro
Faltando menos de três meses para o Círio de Nazaré, a rede hoteleira de Belém ainda apresenta um ritmo de reservas aquém do esperado para o período. Segundo representantes do setor, apesar da intensa procura por informações e orçamentos, muitos turistas ainda não confirmaram suas hospedagens, em grande parte devido ao elevado custo das passagens aéreas. A expectativa é que a demanda aumente conforme a data da procissão se aproxima, como é tradicionalmente observado.
De acordo com Ana Carolina Bonna, vice-presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes de Belém e Ananindeua, a ocupação média atual está em torno de 40%. “As reservas para o Círio ainda estão abaixo do esperado neste momento, mas mantemos uma perspectiva positiva para o segundo semestre, quando costuma haver uma intensificação na procura por hospedagens. O Círio é um dos maiores eventos religiosos do país, e muitos visitantes confirmam suas viagens mais próximo da data”, explica.
Expectativa de ocupação e desafios para o setor
A expectativa é que a ocupação hoteleira alcance cerca de 80% na semana do Círio, impulsionada pelas confirmações de romeiros e turistas. “Esse aumento geralmente acontece à medida que as pessoas definem suas viagens e confirmam as reservas”, comenta Ana Carolina.
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Essa percepção é reforçada por Cynthia Margarone, gerente de vendas dos hotéis Accor em Belém, responsável por cinco empreendimentos na capital. Ela destaca que, diferente do que ocorreu em 2024, as reservas para o Círio de 2026 estão mais lentas. Em julho de 2024, seus hotéis já alcançavam cerca de 75% de ocupação para o período do Círio, enquanto neste ano o índice varia entre 55% e 60%.
Cynthia aponta que esse cenário é comum a outros empresários do ramo, conforme relatos em reuniões do trade hoteleiro. “Há procura, mas ela não se converte em reservas efetivas. Muitos clientes informam que o preço das passagens aéreas para Belém está muito alto, o que acaba desestimulando a viagem”, esclarece.
Estratégias para estimular as vendas e impacto da COP30
Para reverter a situação, hotéis, agências e operadoras de turismo têm investido em alternativas como flexibilização de tarifas e ajustes nos pacotes de hospedagem. Enquanto alguns mantêm um mínimo de três noites, outros passaram a oferecer duas diárias ou tarifas específicas para o período do Círio. “Fizemos uma reformulação tarifária para equilibrar os preços no mercado, com a expectativa de que isso melhore o desempenho das reservas até outubro”, afirma Cynthia.
Além do ritmo mais lento nas reservas, o setor enfrenta um cenário de aumento da oferta de leitos na capital paraense, resultado dos investimentos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Em abril, Tony Santiago, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-Pará), informou que Belém ganhou cerca de 1 mil novos apartamentos, o que representa 2,5 mil leitos adicionais na rede hoteleira.
Apesar disso, a ocupação média registrada em março foi de 50%, índice considerado suficiente para a viabilidade econômica do setor, com projeção de 60% para o segundo semestre. Ana Carolina Bonna ressalta que, apesar do aumento da capacidade, a demanda turística não cresceu proporcionalmente: “A procura permanece semelhante à dos últimos anos, mas está distribuída entre mais hotéis, o que reduz a ocupação média dos estabelecimentos.”
Ela também destaca que a maior concorrência tem pressionado as diárias para baixo, levando muitos hotéis a ajustarem seus preços para se manterem competitivos. “O grande desafio agora é transformar a visibilidade gerada pela COP30 em um fluxo turístico constante, capaz de sustentar o crescimento do setor a longo prazo”, conclui.
