Abertura da II Semana do Clima da Amazônia em Belém
Belém iniciou, na segunda-feira (29), a II Semana do Clima da Amazônia, evento que tem como objetivo principal transformar as promessas firmadas na COP30 em ações práticas para as comunidades da floresta. Com programação até 4 de julho, o encontro se consolidou como o maior fórum regional dedicado a garantir que os acordos internacionais se traduzam em resultados concretos na realidade amazônica.
Este ano, a Semana do Clima da Amazônia entrou oficialmente para o calendário anual de Belém, consolidando o Pará como o quinto estado brasileiro a contar com uma semana fixa dedicada ao tema climático, ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A edição de 2026 dobrou de tamanho em relação à anterior, reunindo uma rede de 30 instituições e promovendo mais de 70 atividades, todas organizadas pela sociedade civil.
Vozes da floresta no centro do debate climático
Um dos grandes diferenciais do fórum foi a inclusão dos próprios habitantes da floresta na discussão. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), um dos organizadores do evento, trouxe cerca de 100 agricultores e líderes comunitários para compartilhar suas experiências diante dos impactos da crise climática.
Entre eles, Marluce Coelho, liderança do Quilombo Maria Valentina, localizado no oeste do Pará, relatou os efeitos da seca e do fenômeno El Niño de 2024 sobre a produção de mandioca, base da economia local. Ela destacou que o solo ficou mais enfraquecido e as temperaturas elevadas provocaram o cozimento da raiz ainda debaixo da terra, reduzindo drasticamente a produção e exigindo mais esforço dos agricultores para manter a subsistência.
Marluce, que também atua na Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS), reforçou a importância desses fóruns para que todos compreendam o papel de cada indivíduo na construção de soluções eficazes para a crise climática.
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Potencial da Amazônia e caminhos para a recuperação
A II Semana do Clima da Amazônia também apresentou caminhos baseados em pesquisas científicas para reverter o cenário atual. A jornalista Sônia Bridi alertou que, sem ações efetivas, o planeta pode aquecer até 2,6 °C até o fim do século, agravando os impactos ambientais.
Beto Veríssimo, coordenador do projeto Amazônia 2030, apontou que o Brasil tem potencial para aumentar sua cobertura florestal em 8 milhões de hectares até 2035, desde que haja a regularização de 50,9 milhões de hectares de terras públicas e uma mudança na lógica de financiamento ambiental. Ele destacou a necessidade de separar claramente a ilegalidade do desmatamento da floresta preservada para atrair investimentos.
Joanna Martins, da rede Uma Concertação pela Amazônia, reforçou a aposta na economia verde como caminho para a sustentabilidade. Segundo ela, existem soluções locais eficazes, mas muitas vezes não implementadas por falta de crença em seu potencial. ‘‘Sem medo, podemos mostrar para o mundo que as soluções existem e estão aqui na Amazônia’’, afirmou.
Do discurso à ação: cobrança por resultados concretos
A mensagem final da semana foi clara: os tempos de debates apenas diplomáticos ficaram para trás. André Guimarães, diretor-executivo do Ipam, explicou que a dinâmica da geopolítica climática mudou, migrando o foco dos negociadores para investidores, populações tradicionais, povos indígenas e sociedade civil.
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Para garantir que as promessas da COP30 se transformem em ações concretas, foi criada a Agenda de Ação da COP30, que monitora os resultados ao longo do ano. Mauro O’de Almeida, coordenador dessa agenda, ressaltou que a presidência brasileira da COP30 colocou a implementação no centro da estratégia política, transformando a conferência em um ciclo permanente de execução.
Segundo ele, Belém deixará de ser lembrada apenas como palco de negociações e passará a ser referência no início da arquitetura de governança climática internacional.
Lucimar Souza, diretora do Ipam, resumiu o significado da II Semana do Clima da Amazônia como um “legado vivo da COP30”, criado para garantir que os compromissos assumidos se tornem realidade no cotidiano de quem cuida da floresta.
Fonte: Amazônia Vox e Ipam
