Jejum de 11 anos sem acesso à Série C
A eliminação do Águia de Marabá diante do ABC-RN por 3 a 0, no último domingo (12), encerrou a participação dos clubes paraenses na Série D do Campeonato Brasileiro em 2026. Com essa derrota, o futebol do Pará mantém um jejum de 11 anos sem conseguir o acesso à Série C, prolongando a ausência do Estado na terceira divisão nacional.
Desde a criação da Série D, em 2009, os times paraenses contabilizam 31 participações na competição. Nesse período, o Estado conquistou um título e dois acessos: o São Raimundo de Santarém, campeão da edição inaugural, e o Remo, que subiu para a Série C em 2015. Após essa data, nenhuma equipe paraense conseguiu retornar à divisão superior.
Desafios estruturais e competitivos dos clubes do Pará
Em entrevista à equipe de Esportes de O Liberal, o colunista Carlos Ferreira avaliou que a Série D se tornou uma disputa mais equilibrada e exigente, o que dificulta ainda mais o avanço dos clubes paraenses. Segundo ele, a competição reduziu as margens de erro principalmente nas fases eliminatórias.
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Fonte: tcheagora.com.br
“Não tenho muita perspectiva de um dos times do interior ou da própria Tuna. O Remo conseguiu lá em 2015, mas era o Remo, com a força do clube, da torcida e tudo mais. Antes disso, o São Raimundo, na primeira edição, em 2009, vivia um momento muito especial. A competição foi se tornando mais difícil e mais longa. Nossos times costumam sobrar na primeira fase contra equipes da Região Amazônica, mas param nos confrontos contra os nordestinos. Tem sido assim ano após ano”, destacou.
O jornalista apontou que os clubes que alcançam o acesso atualmente apresentam diferenciais importantes, seja pela estrutura ou pela mobilização da torcida. “Agora vamos analisar quem tem conseguido subir para a Série C: Retrô-PE, com uma grande estrutura; Barra-SC, outra equipe de grande estrutura; o próprio Mirassol-SP no início da sua trajetória, além do Santa Cruz-PE. Quem consegue subir são clubes que têm estrutura ou torcida forte, algo que não vemos nesses clubes [do Pará que jogam a Série D]”, explicou.
Águia de Marabá: principal esperança para o futuro
Apesar dos desafios, Carlos Ferreira considera o Águia de Marabá como o clube paraense com maior potencial para buscar o acesso na próxima temporada. No entanto, ele destaca que ainda existem limitações a serem superadas.
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“Em 2027 teremos Castanhal, Cametá e Águia disputando a Série D. Mas eu não vejo nesses clubes a ambição pela Série C. Vejo sonho, mas não vejo projeto para chegar lá. São clubes que se conformam com o tamanho que têm, tanto em estrutura quanto em mentalidade. O Águia já viveu um grande momento na Série C, chegou perto de subir à Série B, mas era outra realidade da competição”, comentou o colunista.
Ferreira ressaltou que o Águia possui algumas características que o diferenciam dos demais representantes do Pará. “Quem tem mais possibilidades de subir à Série C é o Águia. Jogando em casa, o clube tem força da torcida. Não é uma estrutura espetacular, mas é razoável e talvez seja o clube que mais tenha essa ambição. Ainda assim, possui limitações, como se confirmou mais uma vez. No cenário local, observando os clubes e o nível da competição, vejo poucas perspectivas. O futebol sempre dá margem para o impossível, então podemos ter esperança, mas não dá para ter confiança.”, concluiu.
