A riqueza da arte sacra barroca na Amazônia
A exposição “Simbolismo Sacro”, realizada na Galeria Fidanza do Museu de Arte Sacra, no bairro da Cidade Velha, em Belém, reúne doze esculturas que revelam a expressividade da arte sacra a partir da estética barroca. A mostra apresenta um recorte histórico e cultural que envolve povos de origens diversas, configurando uma trajetória única no mundo. Algumas peças vieram da Europa, enquanto outras foram esculpidas na Oficina do Colégio dos Jesuítas, evidenciando a diversidade e a complexidade desse patrimônio.
Curadoria e significado histórico-cultural
Armando Sobral, professor universitário e artista plástico com quatro décadas de experiência, assina a curadoria da exposição. Ele ressalta que a visita vale pela intensa carga expressiva das esculturas, fruto da técnica dos entalhadores indígenas e europeus do período barroco. Sobral destaca ainda o valor histórico das obras, que iluminam o turbulento processo de formação dos primeiros núcleos urbanos na Amazônia e o papel da Igreja no projeto europeu de dominação territorial. O curador destaca também o simbolismo e o sentido devocional presentes na iconografia, que hoje podem ser observados à luz de uma sociedade cada vez mais distante de suas tradições.
Apresentação renovada e contextualização
Antes guardadas no Museu de Arte Sacra, as peças ganharam uma nova apresentação na Galeria Fidanza, buscando uma valorização cenográfica que aproxima o público da experiência artística. Segundo Armando Sobral, a escolha do espaço possibilita uma conexão visual com as esculturas no piso superior, oferecendo uma experiência mais imersiva e próxima das obras.
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Contexto histórico e cultural da exposição
A historiadora e antropóloga Dayseane Ferraz, pesquisadora do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM) da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult), é responsável pelo texto expositivo da mostra. Ela explica que as peças pertencem à imaginária barroca dos séculos XVIII e XIX e aos Santos de Roca, esculturas utilizadas em procissões religiosas desde o período colonial.
Dayseane enfatiza que são cerca de doze peças que traduzem a arte barroca e a produção das oficinas jesuíticas, revelando a riqueza remanescente da arte sacra no Pará desde a colonização. A exposição também evidencia o simbolismo inscrito na cultura material deixada por religiosos, artesãos e nativos, que permanece como parte da identidade cultural regional até hoje.
Visitação e acesso
A exposição foi inaugurada no sábado (1º) e segue até 18 de outubro, com visitação de terça a domingo, das 9h às 17h. A entrada é gratuita às terças e domingos. Nos demais dias, o ingresso custa R$ 4. Professores, estudantes, crianças até 12 anos, pessoas com deficiência e grupos prioritários têm entrada franca.
