Desafios e adaptação na rotina dos taxistas de Belém
A rotina dos taxistas em Belém mudou profundamente com a chegada dos aplicativos de transporte, que reduziram o fluxo nos pontos tradicionais e elevaram a concorrência. Os custos com combustível e manutenção seguem como obstáculos constantes para quem trabalha na categoria. Apesar disso, motoristas ouvidos na capital paraense garantem que o táxi ainda oferece uma fonte de renda estável, especialmente para aqueles que possuem veículo próprio.
Raimundo Azevedo, que atua há dez anos no ponto próximo a um hospital na Pedreira, conta que entrou na profissão após perder um emprego formal e enfrentar dificuldades para se recolocar no mercado. “Eu perdi o emprego e, pela idade, não consegui arrumar mais. Aí pintou um táxi que eu comecei a trabalhar nele”, explica.
A chegada dos apps impactou diretamente o movimento, segundo Raimundo. “O primeiro aplicativo que entrou foi o Uber, depois a 99. Aí deu uma quebrada, caiu mesmo”, recorda. Atualmente, ele percebe uma melhora gradual. “Não está 100% bom, mas melhorou uns 70%, 80%”, afirma.
O impacto dos custos e a importância do veículo próprio
Para o taxista, possuir o próprio carro faz diferença na rentabilidade. “É renda para quem tem o seu táxi próprio. Agora, quem paga na diária é complicado. Pode até tirar, mas é um sufoco que ele leva”, destaca Raimundo. Ele trabalha das 9h às 18h e estima que colegas que passam mais horas nas ruas conseguem entre R$ 150 e R$ 170 por dia, dependendo da demanda.
Silvio Santana, também com uma década na profissão, relata que em dias movimentados chega a faturar entre R$ 150 e R$ 200 diários. Ele atua das 8h às 18h e sustenta a família com essa renda. No entanto, lembra que esses valores não representam lucro líquido, já que é preciso descontar gastos de combustível e manutenção. Para economizar, Silvio opta pelo etanol quando o preço da gasolina está alto.
Confiança dos passageiros e a disputa com aplicativos
Além dos custos, a concorrência dos aplicativos é um desafio constante. Mesmo assim, Silvio garante que o taxista mantém a confiança dos passageiros. “As pessoas têm muita confiança no taxista em relação aos motoristas de aplicativo”, explica. No ponto em frente ao hospital, o público fiel é composto, principalmente, por idosos que valorizam o serviço tradicional.
Segundo Silvio, para manter a profissão é necessário mais do que uma licença. “Não basta só ter a licença e esperar pelo passageiro. É preciso controlar custos, trabalhar com regularidade e conquistar a confiança de quem entra no carro”, conclui.
