Floresta e Agricultura: Uma Conexão Essencial
Conservar áreas florestais dentro das propriedades rurais é uma estratégia fundamental para elevar a produtividade agrícola e proteger as safras contra os impactos do clima. Dados do projeto Galo, conduzido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), mostram que a perda de vegetação pode elevar a temperatura média local em até 3°C. Esse aumento térmico provoca uma queda significativa na produção agrícola: a soja perde 6% de produtividade a cada grau a mais na temperatura média, enquanto o milho sofre uma redução de 8%.
Impactos Diretos do Desmatamento nas Lavouras
Sem a cobertura vegetal que mantém a umidade do ar e reduz o calor, as perdas combinadas chegam a cerca de 20% nas propriedades analisadas. Essa relação foi detalhada durante a 2026 World AgriFood Innovation Conference, na China, em um painel organizado por instituições brasileiras e chinesas. André Guimarães, diretor executivo do Ipam e Enviado Especial da Sociedade Civil da COP30, destacou que aumentar a produtividade no campo e proteger as safras exige conservar mais florestas nas propriedades, não expandir o desmatamento.
Redesenhando as Paisagens Produtivas
O painel “O papel da agricultura regenerativa para a resiliência climática” reuniu representantes da sociedade civil brasileira e pesquisadores chineses voltados para a produção sustentável. Guimarães reforçou que é necessário repensar o paradigma de eliminar a natureza para abrir áreas de plantio. Observar a altura das plantas e a qualidade do solo próximo a fragmentos florestais revela a conexão vital entre cultivo e floresta. Produzir mais não requer desmatar mais, mas sim redesenhar as paisagens produtivas para integrar a conservação ambiental.
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Dados do Projeto Galo Confirmam Benefícios da Floresta
O projeto Galo, realizado na Estação de Pesquisa Tanguro, em Mato Grosso, avaliou a interação entre lavouras e fragmentos florestais. A pesquisa apontou que a perda de vegetação está vinculada ao aumento das temperaturas, chegando a 3°C na média anual das propriedades estudadas. Essa elevação térmica reduz a produtividade da soja em 6% e do milho em 8% por grau adicional. As perdas totais podem alcançar 20%, sem contar o impacto das mudanças climáticas globais e fenômenos como o El Niño.
Florestas como Defesas Naturais da Agricultura
Guimarães conclui que a presença de florestas nos sistemas agropecuários é essencial para proteger as lavouras contra ondas de calor, secas e quebras de safra. Sem a floresta, o ar torna-se mais seco devido à menor disponibilidade de água, elevando as temperaturas e afetando diretamente a produtividade das principais commodities exportadas pelo Brasil. A conservação ambiental dentro das propriedades rurais, portanto, é uma medida estratégica para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor agrícola.
