Passagens Rodoviárias em Alta no Pará para o Verão Amazônico
Um levantamento realizado pelo Instituto Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA) apontou que os custos para viajar durante o Verão Amazônico e as férias escolares de 2026 estão significativamente mais altos. A pesquisa, feita entre os dias 27 e 29 de junho nos terminais rodoviário e hidroviário de Belém, identificou aumentos expressivos nos preços das passagens e demais despesas para destinos dentro e fora do Pará.
Nesse período, muitos moradores da capital paraense optam por deixar a cidade em busca de lazer nos principais balneários e outras regiões do país. A movimentação intensa envolve diversos meios de transporte, incluindo o aéreo, rodoviário, hidroviário e, claro, veículos particulares. Ainda assim, o transporte rodoviário intermunicipal e interestadual permanece como o principal meio utilizado pela população durante este momento do ano.
Valores das Passagens e Integração Metropolitana
O levantamento do Dieese/PA detalha que os preços das passagens rodoviárias intermunicipais variam conforme a distância e o destino. Por exemplo, a tarifa para Barcarena está em torno de R$ 32,00. Para cidades próximas como São Caetano de Odivelas e Vigia, o valor fica em cerca de R$ 35,00. Já para Abaetetuba, a média é de R$ 38,00; Marudá, R$ 60,00; e Capanema, R$ 65,00.
Destinos mais distantes apresentam tarifas maiores: Bragança custa R$ 92,00, Salinópolis R$ 93,00 e Mocajuba chega a R$ 98,00. Para Cametá, o valor é de R$ 107,00, incluindo a travessia fluvial. Paragominas registra tarifa de R$ 130,00; Tucuruí, R$ 178,00; e Marabá lidera com o maior valor pesquisado entre os principais destinos intermunicipais, cerca de R$ 190,00.
Para quem utiliza o transporte coletivo urbano até a Ilha de Mosqueiro, a tarifa permanece em R$ 4,60 por viagem, com a política de gratuidade aos domingos e feriados mantida, facilitando o acesso ao principal balneário da capital. Um avanço importante na mobilidade metropolitana é a integração de Castanhal ao sistema BRT Metropolitano (Bus Rapid Transit), permitindo o deslocamento entre Belém e Castanhal pelo valor integrado de R$ 4,60.
Transporte Hidroviário e Viagens Interestaduais
No Terminal Hidroviário de Belém, o Dieese/PA constatou que as passagens para destinos como Soure, Salvaterra e Ponta de Pedras variam entre R$ 40,00 e mais de R$ 60,00, já com as taxas de embarque incluídas. Para quem planeja viajar para outros estados via transporte rodoviário interestadual, os preços também estão elevados. As passagens para São Luís (MA) custam cerca de R$ 280,00; Fortaleza (CE), R$ 550,00; e Brasília (DF), R$ 750,00.
Os destinos mais caros são as capitais São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), com valores próximos de R$ 950,00. Estes reajustes refletem uma alta significativa que ultrapassa a inflação acumulada no último ano.
Reajustes de Passagens e Pressões nos Custos
O Dieese/PA destaca que as passagens rodoviárias sofreram reajustes que, em alguns casos, superam 20% nos últimos 12 meses, enquanto a inflação acumulada ficou em torno de 4,5%. Esse aumento é resultado de fatores que elevam os custos das empresas de transporte, como a alta nos preços de combustíveis, lubrificantes, pneus, peças de reposição e serviços de manutenção da frota.
Além disso, os gastos com pessoal e despesas administrativas também cresceram. Durante o Verão Amazônico e as férias escolares, a demanda por viagens aumenta, o que geralmente leva à redução ou suspensão de promoções e descontos, elevando ainda mais o custo final para o consumidor.
Impacto do Aumento dos Combustíveis e Manutenção de Veículos
Para quem vai utilizar veículo próprio, a situação também não é favorável. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que os preços dos combustíveis em Belém estão mais altos. Até a segunda quinzena de junho de 2026, o litro da gasolina custava, em média, R$ 6,61, com alta de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O diesel apresentou a maior variação, com aumento de 13,7%, atingindo R$ 6,97 por litro. O etanol também subiu, chegando a R$ 4,98 por litro, com reajuste de 3,7%. Além dos combustíveis, o custo da manutenção dos veículos subiu consideravelmente no último ano. Despesas com revisões e reparos podem ultrapassar um salário mínimo, dependendo do serviço, das peças necessárias e do tipo de oficina escolhida.
Esses fatores tornam ainda mais essencial o planejamento financeiro para quem pretende viajar de carro durante as férias e o Verão Amazônico.
Recomendações para Economizar nas Viagens
Diante do cenário de alta nos preços e grande demanda, o Dieese/PA recomenda que os consumidores planejem suas viagens com antecedência. Pesquisar preços entre diferentes transportadoras e comprar as passagens com antecedência pode evitar a indisponibilidade de horários e gastos extras provocados pela procura intensa.
Everson Costa, supervisor técnico do Dieese/PA, destaca que, apesar do aumento nos custos, a expectativa é que o fluxo intenso de viajantes durante o Verão Amazônico impulsione a economia local. “O aumento da circulação de pessoas deve fortalecer setores ligados ao turismo, como hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços, contribuindo para ampliar a geração de renda e movimentar as economias locais dos principais destinos turísticos do Pará”, explica Costa.
