Virada Cultural 2026 começa com público resistente ao frio e à garoa
Na madrugada deste domingo (24), o Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, estava tomado por milhares de pessoas que enfrentavam a garoa fina e o frio de 16ºC para acompanhar a Virada Cultural 2026. Mesmo com a previsão de chuva forte e risco de temporal, o público chegou munido de capas de chuva, guarda-chuvas e agasalhos, garantindo ruas movimentadas e uma atmosfera animada no primeiro dia do evento, que segue até o fim do domingo em 22 palcos espalhados pela capital paulista, entre Centro e periferia.
Cultura paraense marca presença forte e diversificada
Se no ano passado a cultura do Pará já havia conquistado espaço com aparelhagens e tecnobrega, em 2026 ela se espalhou ainda mais pelas ruas do Centro. Em diversos pontos, sotaques paraenses, bandeiras do estado e conversas sobre a gastronomia e música de Belém estavam presentes. Rose Costa Soares, que mora em São Paulo há três anos, levou a família para ver o Carabao, uma das atrações paraenses mais aguardadas. Ao lado dela, Maria de Nazaré destacou melhorias na organização do evento, como mais banheiros e maior segurança em relação ao ano anterior.
O Carabao — O Máximo do Marajó se apresentou no palco principal do Anhangabaú, embalando o público com tecnobrega melódico e o “rock doido”, ritmo acelerado das periferias paraenses. Jime Weverton, pedreiro nascido em Bragança (PA) que veio de Indaiatuba para assistir ao show, ressaltou o crescimento da cultura nortista em São Paulo: “Tá chegando. Ainda é meio fraco aqui, mas tá crescendo”.
Para Nazareno Alves, dono do restaurante paraense Point do Açaí, que acompanhou a comitiva do Carabao em São Paulo, a presença da cultura paraense no Sudeste é um movimento natural. “O Pará tem muita música boa, dança e gastronomia. Isso vai invadir outras capitais”, afirmou. A programação paraense continuou madrugada adentro no Palco São João, com apresentações de Banda Fruto Sensual e Gaby Amarantos, transformando a Avenida São João em uma grande pista de dança.
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Outras expressões culturais e show emblemático de Manu Chao
Além do protagonismo paraense, a Virada Cultural também destacou a diversidade cultural no Centro de São Paulo. Na Rua Aurora, palco dedicado ao afrobeat reuniu coletivos negros, estrangeiros e jovens paulistanos sob chuva fina e luzes neon, valorizando a herança africana da região.
O ponto alto da madrugada ocorreu no Vale do Anhangabaú com o show de Manu Chao, que subiu ao palco por volta das 0h30. Mesmo sob garoa, o público, que havia assistido a Luísa Sonza, permaneceu para a apresentação que se tornou um coro político e latino-americano. Bandeiras da Palestina foram erguidas e palavras de ordem contra o imperialismo ecoaram entre as milhares de pessoas presentes. O engenheiro ambiental Raul Miranda classificou o show como um dos mais memoráveis da Virada, destacando a relação entre música e política na performance.
O espetáculo de Manu Chao, baseado em violão e percussão acústica, exigiu uma participação coletiva do público, que respondeu em coro aos refrões. Curiosamente, o sistema de som soou baixo durante sua apresentação, contraste notado por frequentadores que ironizaram o episódio como o “melhor show ruim da minha vida”.
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Desafios de estrutura e organização na Virada Cultural
Apesar da animação, alguns problemas logísticos foram percebidos durante a madrugada. O palco do coletivo Deekapz, por exemplo, ficou pequeno para o público e o volume do som foi alvo de reclamações. A sinalização também deixou a desejar, dificultando a orientação dos frequentadores para encontrar os palcos e atrações seguintes, mesmo com um mapa disponível na Rua 24 de Maio.
Não foram registradas confusões ou abordagens policiais durante a madrugada, segundo a reportagem. A Secretaria da Segurança Pública e a Prefeitura de São Paulo ainda não divulgaram balanço de público ou ocorrências da primeira noite.
Programação segue com artistas nacionais e espaço para a cultura popular
A Virada Cultural 2026 continua até a noite deste domingo (24), com shows de Marina Sena, Seu Jorge, Alexandre Pires, Joelma e Thiaguinho espalhados pelo Centro e periferias da capital paulista. O evento mantém sua vocação de ocupar espaços públicos e promover a circulação cultural, reafirmando a força da diversidade artística, com destaque para a cultura do Pará que se firma cada vez mais na cena paulistana.
