Uma Apresentação Técnica no Lolla
Desfalcado, o KATSEYE subiu ao palco neste domingo (22) para um show de 60 minutos, que impressionou pela precisão quase milimétrica das coreografias, reflexo direto de sua origem cuidadosamente planejada. Formado entre 2023 e 2024 por meio do reality show “Dream Academy”, o grupo se consolidou como um girl group internacional, reunindo integrantes dos EUA, Coreia do Sul, Suíça e Filipinas. No entanto, apesar do apelo global, a estética e o investimento que caracterizam a indústria pop coreana estão, sem dúvida, presentes.
A fórmula parece ter funcionado: KATSEYE ostenta números nas plataformas de streaming que competem com os de grandes nomes do festival, como Lorde e Tyler, The Creator. Uma prova palpável do seu sucesso foi que, mesmo em um horário simultâneo ao do rapper americano, muitos fãs optaram por acompanhar o pop energético e bem coreografado do grupo.
O público era, em sua maioria, constituído por crianças e adolescentes, com muitas meninas que aparentavam ter menos de 10 anos. Os adultos que estavam lá, geralmente, acompanhavam esses jovens fãs, criando uma atmosfera familiar.
Repertório Enxuto e Conexão com a Faixa Etária
Apesar de não terem lançado um álbum de estúdio oficial, mas sim uma sequência de EPs e singles, o KATSEYE apresenta um repertório voltado para o público mais jovem. Músicas como “Monster High Fright Song” ressoam bem com essa faixa etária. Os versos, que falam sobre os medos do ensino médio e a camaradagem, refletem os anseios de um público que busca identificação.
No palco de Interlagos, as integrantes Daniela Avanzini, Lara Raj, Megan Skiendiel, Sophia Laforteza e Yoonchae Jeong tentaram justificar os números impressionantes de streaming e as indicações ao Grammy 2026, nas categorias de Melhor Artista Revelação e Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo. Contudo, a conexão emocional com o público ficou aquém do esperado.
Não foi por falta de entusiasmo; as meninas demonstraram empolgação ao dizer: “A gente esperou muito tempo para vir ao Brasil”. Logo após, em músicas como “Internet Girl”, mostraram suas habilidades de dança, rebolando e até imitando o movimento de digitar em um laptop imaginário, o que arrancou risadas do público.
Momentos Altos e a Ausência de Improviso
Durante o show, mesmo quando cada integrante se apresentou após a música “I’m Pretty” e tentaram se comunicar em português, a interação foi limitada. O máximo que foi ouvido foi um tímido “e aí, gatinhas”, que, apesar de simpático, não foi suficiente para criar uma relação mais próxima com a plateia.
Os pontos altos da apresentação vieram com os hits “Gabriela” e “Gnarly”, que contaram com batidas enérgicas e coreografias inspiradas nas tendências do TikTok, garantindo a animação do público jovem. No entanto, embora os pequenos fãs tenham ficado impressionados com as performances, a apresentação careceu de um dos aspectos mais cativantes de um festival: a pulsação, o improviso e a alma que muitas vezes caracterizam performances ao vivo.
No final, o que se viu foi um espetáculo eficiente, mas excessivamente arrumado, que deixou a sensação de que a experiência poderia ter sido mais envolvente. O KATSEYE, embora tecnicamente impecável, ainda tem um longo caminho a percorrer para conquistar a conexão emocional que muitos esperam de um festival como o Lollapalooza.
