Desespero e Inação: Uma Luta Pela Vida
Um recém-nascido em Belém, Pará, aguarda há 22 dias por uma vaga em UTI neonatal, mesmo com uma decisão judicial que ordena sua transferência. A mãe, Laysa, compartilha sua dor e frustração, tendo sido privada de segurar seu filho logo após o parto, realizado na Maternidade do Povo no dia 21 de março. Ela descreve a experiência como uma das mais dolorosas de sua vida e pede, a todo custo, a chance de ver seu filho viver.
“Eu só quero que meu filho tenha a chance de viver. Eu só quero que o meu filho tenha vida”, expressa Laysa, em uma demonstração de desespero e impotência. A Justiça havia determinado que o bebê fosse transferido para um hospital que oferecesse o tratamento necessário, com os custos cobertos pelo poder público. A determinação incluía uma multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento.
Recentemente, em uma nova decisão da 1ª Vara da Infância e Juventude de Belém, foi estipulado que a transferência deveria ser feita em até 24 horas, sob pena de multa, mas a mãe relata que nada foi feito até o momento.
O Sistema de Saúde em Questão
Laysa, com lágrimas nos olhos, questiona: “Como mãe é impossível aceitar. Não é só sobre demora ou erro médico, é sobre abandono. É sobre ver um filho lutar pela vida enquanto o sistema falha em agir, mesmo quando a Justiça já determinou o que precisa ser feito.”
A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) se manifestou, afirmando que já tomou as medidas necessárias para facilitar a transferência e internação do paciente, acionando os órgãos competentes. O bebê, conforme informado, está inserido no Sistema Estadual de Regulação (SER), aguardando um leito adequado.
O G1 pediu um posicionamento à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), mas não obteve retorno até a última atualização da matéria. O Hospital Maternidade do Povo, onde o bebê está internado, é uma entidade privada, que atende tanto convênios quanto pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e ainda não se manifestou sobre o caso.
Um Desfecho Trágico?
Para entender melhor a situação, é importante considerar a trajetória de Laysa. Moradora de Capitão Poço, município situado a 216 km de Belém, a mãe chegou à Santa Casa de Misericórdia, referência estadual, no dia 19 de março, em trabalho de parto com 39 semanas de gestação. Inicialmente classificada como de baixo risco, Laysa enfrentou uma espera de mais de 12 horas por atendimento.
Ela relata que recebeu informações da equipe médica de que não havia problemas, mas logo percebeu que seu filho estava em perigo. “O bebê já não se mexia, teve diminuição dos movimentos”, conta. Por volta das 16h do dia 21, foi transferida para a Maternidade do Povo, onde iniciaram a indução do parto, mas a situação se agravou, levando a uma cesariana de emergência na madrugada do dia 21.
Após o parto, o bebê foi direcionado à UTI neonatal. O pedido de leito especializado foi feito em 25 de março, mas, até agora, permanece sem resposta. “Ele continua internado, mas sem diagnóstico, precisando de cuidados intensivos e especializados. Desde 6 de abril, estamos pedindo a transferência imediata para uma unidade adequada, mas essa decisão não foi cumprida”, lamenta Laysa.
Enquanto o drama da família se desenrola, a sociedade acompanha, atenta e preocupada, a situação do sistema de saúde que, falhando nesse caso, expõe a vulnerabilidade de outros muitos.
