Missão Internacional em Águas Profundas
Uma equipe de três pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) faz parte de uma expedição científica internacional dedicada a examinar a biodiversidade em regiões profundas da costa brasileira. A missão, chamada “Designing the Future III”, partiu de Salvador no dia 15 de abril a bordo do navio de pesquisa oceanográfica RV Falkor (too), vinculado à Fundação Schmidt Ocean, uma entidade privada sem fins lucrativos.
Os professores Renato Mitsuo Nagata e Silvina Botta, acompanhados pela pós-doutoranda Julieta Cebuhar, representam a FURG nesta importante iniciativa. A escolha da área de exploração se alinha ao planejamento global do Schmidt Ocean Institute, que faz parte da Década dos Oceanos, uma iniciativa internacional que visa a pesquisa marinha entre 2020 e 2030.
Conforme explica o professor Renato Nagata, a fundação elege anualmente diferentes regiões do planeta para seus estudos, e entre 2025 e 2027, o foco será o Atlântico Sul. “Atualmente, estamos em águas internacionais, além da zona econômica exclusiva, a mais de 300 milhas náuticas da costa brasileira”, detalha Nagata.
Além da FURG, um total de 14 universidades estão envolvidas na pesquisa a bordo do navio, que deverá retornar à costa em Fortaleza no início de maio. O principal objetivo desta expedição é ampliar o conhecimento sobre a fauna que habita as águas intermediárias dos oceanos e testar novos equipamentos desenvolvidos para o estudo desses organismos fascinantes.
“Estamos observando diversas espécies de animais que ainda não são conhecidas pela ciência, além de testar vários novos instrumentos para a pesquisa oceanográfica, incluindo equipamentos de imagem. Esta é uma grande oportunidade para aprofundar nosso conhecimento sobre uma área do oceano que ainda carece de investigações científicas”, afirma Nagata.
Investigando a Zona Mesopelágica
As pesquisas focam na zona mesopelágica, uma faixa que se estende entre 200 e 1.000 metros de profundidade, situada abaixo da camada iluminada pelo sol e considerada uma das partes menos exploradas do planeta. Segundo o professor Nagata, essa zona abriga uma biodiversidade que ainda precisa ser estudada em profundidade. Entre os organismos que podem ser encontrados nesse ambiente estão ctenóforos, medusas, sifonóforos e poliquetas pelágicos, que se destacam por serem frágeis, transparentes e por apresentarem bioluminescência, a capacidade de produzir luz própria.
Tecnologia Avançada em Ação
Durante a expedição, os pesquisadores utilizam câmeras de alta velocidade para registrar os movimentos dos animais em câmera lenta, permitindo uma análise minuciosa dos detalhes da natação. Com essas ferramentas, a equipe planeja criar modelos computacionais em 4D dos organismos transparentes em estudo. A proposta é unir imagens detalhadas, análises comportamentais e estudos químicos para uma compreensão abrangente de como esses seres vivem, se alimentam e se locomovem nas profundezas do oceano.
“Utilizando câmeras de alta velocidade, conseguimos filmar em super câmera lenta e descrever os movimentos desses animais. Ao associar imagens geradas por técnicas de escaneamento detalhadas com quantificações comportamentais e análises químicas, nossa equipe obterá uma visão mais profunda sobre a vida no oceano”, conclui Nagata.
A expedição é liderada pela pesquisadora Karen Osborn, do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, nos Estados Unidos, e reúne uma equipe multidisciplinar composta por oceanógrafos, biólogos, engenheiros, zoólogos, cientistas da computação e bioinformatas de diferentes partes do mundo.
