Obras Bilionárias e Problemas Persistentes
As intensas chuvas que atingiram a Região Metropolitana de Belém no último fim de semana causaram alagamentos em diversos bairros, submergindo casas e isolando moradores. A população, já cansada do cenário recorrente, exige rapidez e eficácia nas obras, mesmo após um investimento de mais de R$ 2,9 bilhões em projetos de macrodrenagem na capital paraense.
Os esforços do Governo do Pará incluem intervenções em várias bacias hidrográficas, abrangendo serviços de terraplanagem, drenagem, pavimentação e urbanização. Na Bacia do Tucunduba, por exemplo, foram alocados cerca de R$ 1,1 bilhão para a construção de uma extensa rede de canais nos bairros que incluem Tucunduba, Mundurucus, Timbó e Gentil Bittencourt. O objetivo primordial é reduzir os alagamentos históricos que persistem na região.
Desafios da Transformação Urbana
Outro projeto significativo é o Parque Linear da Tamandaré, com previsão de conclusão para novembro de 2025, que revitaliza aproximadamente 1,4 km de canal e inclui melhorias em drenagem, ciclovias e áreas de lazer. Este projeto também integra as preparações para a COP 30 (a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), com financiamento do Estado e do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).
Leia também: Defensoria Pública Realiza Mutirão de Atendimento em Bairros de Belém Afetados por Alagamentos
Leia também: Chuva histórica em Belém provoca alagamentos e ações emergenciais
Além disso, nas áreas dos canais do Bengui e da Marambaia, as obras focaram na drenagem, revestimento em concreto, construção de passarelas e pavimentação, com um investimento de cerca de R$ 123 milhões. Tais ações foram executadas também com o apoio financeiro do BNDES, visando a melhoria da mobilidade urbana e a prevenção de alagamentos.
A Bacia da Estrada Nova, que conta com um investimento total de R$ 716 milhões, tem sido alvo de intervenções essenciais, que incluem macrodrenagem e urbanização ao longo da avenida Bernardo Sayão.
Voices da Comunidade: Frustração e Alagamentos Contínuos
Marcelo Tavares, microempresário que reside em frente ao Parque Linear da Tamandaré desde 2018, expressa sua insatisfação. “Aqui nunca alagava. Agora está alagando. A água fica parada, estagnada, porque não há um caimento adequado”, afirmou. Ele critica a execução das obras, ressaltando a falta de funcionalidade na drenagem. “A obra foi bonita, mas não consigo ver resultados. Piorou a situação”, declarou.
Rita de Cássia Andrade, administradora na região há seis anos, compartilha a mesma frustração: “Após as intervenções, o alagamento se tornou frequente. A questão não foi resolvida”, enfatizou, pedindo uma atuação mais eficaz das autoridades.
Leia também: Maré Alta Provoca Alagamentos em Belém e Impacta Comércio Local
Leia também: Chuva Intensa Provoca Alagamentos e Desabamento em Belém
Resposta do Governo e Novas Intervenções
A Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) informou que várias obras estão em andamento na Região Metropolitana de Belém, com foco na mitigação de alagamentos e na melhoria das condições urbanas. Entre os projetos em execução estão os canais Caraparu, Sapucajuba e Tucunduba, além de ações relacionadas à urbanização e à drenagem.
A Prefeitura de Belém também anunciou novas etapas de obras, como na Bacia do Mata Fome, onde a primeira fase, com investimento de R$ 500 milhões, está prevista para começar até o final de abril. O projeto, que abrange bairros como Tapanã e Parque Verde, contará com financiamento federal e de instituições internacionais.
Desafios Históricos e Necessidade de Planejamento
Paulo Pinho, especialista em Engenharia Urbana, destaca que os alagamentos frequentes são frutos de problemas estruturais acumulados ao longo de décadas. “A ocupação desordenada do território é uma das principais causas. Precisamos urgentemente de um plano de drenagem atualizado”, ressaltou. Ele aponta que, sem investimentos contínuos e um planejamento eficiente, os problemas de alagamento continuarão a se repetir. “Os recursos isolados não resolverão a situação. É necessário um planejamento sustentável e investimentos em infraestrutura”, concluiu.
Cobrança de Responsabilidades
Edmilson Rodrigues, ex-prefeito de Belém, criticou a suspensão de obras de macrodrenagem iniciadas na sua gestão e que, segundo ele, geram sérios prejuízos à população. “Se há dinheiro disponível, por que as obras não foram feitas? Isso é uma irresponsabilidade”, afirmou, convocando o Ministério Público a investigar a situação.
Ainda que grandes investimentos tenham sido anunciados, os recentes alagamentos em Belém sinalizam que os desafios históricos da cidade, exacerbados por fatores como mudanças climáticas e ocupação desordenada, continuam sem uma solução definitiva.
