Preço do açaí em Belém registra queda contínua
O preço do açaí em Belém caiu pelo quarto mês consecutivo, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA). A redução registrada em agosto está relacionada ao avanço da safra regional, que aumentou a oferta do fruto após o período de entressafra. No entanto, apesar da queda, o valor do açaí do tipo grosso ainda acumula alta nos últimos 12 meses. Na Feira da 25, um dos principais pontos de comércio na cidade, o litro do tipo grosso é vendido a R$ 26, enquanto o tipo branco chega a R$ 28 neste mês de setembro.
Oferta crescente pressiona preços, mas demanda mantém valores
Os vendedores notam que a maior oferta começa a pressionar os preços para baixo, porém essa queda não é tão acentuada quanto o esperado. Leoclides Andrade, comerciante com 26 anos de experiência na Feira da 25, explica que a exportação e a abertura de novas lojas especializadas aumentaram a procura pelo produto, limitando o recuo dos preços.
“O preço já caiu bastante, mas não do jeito que esperávamos. A demanda é alta, principalmente pela exportação, que consome grande quantidade de açaí”, afirma Leoclides.
Na banca dele, o litro do açaí grosso é comercializado a R$ 26. O tipo branco, mais caro, custa R$ 28 o litro. Leoclides explica que os preços variam conforme a disponibilidade de caroço: quando há mais fruto disponível, os preços tendem a cair; em períodos de escassez, sobem rapidamente. “É como uma bolsa de valores: quando tem pouco caroço, o preço dispara; quando tem muito, o preço cai”, compara.
Dados do Dieese confirmam tendência de queda no preço médio
O Dieese/PA mostra que o preço do açaí do tipo médio caiu de R$ 29,82 por litro em julho para R$ 27,10 em agosto, uma redução de 9,12%. No acumulado do ano, o produto registra queda de quase 6%, e em relação a agosto de 2025, a queda é de 4,17%. Já o açaí grosso, tradicionalmente mais caro, passou de R$ 46,84 para R$ 43,11 no mesmo período, queda de quase 8%. Apesar disso, acumula alta de quase 3% no ano e reajuste próximo de 10% em 12 meses.
Em agosto de 2025, o litro do tipo grosso custava R$ 39,33 em média, valor que subiu para R$ 41,65 em dezembro e R$ 41,95 em janeiro de 2026.
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Variação de preços entre feiras e supermercados em Belém
O levantamento do Dieese também destaca a grande variação de preços entre feiras livres e supermercados da capital paraense. Na última semana de agosto, o litro do açaí tipo médio custava entre R$ 16 e R$ 30 nas feiras, enquanto nos supermercados os preços oscilavam entre R$ 24 e R$ 36.
Para o tipo grosso, as feiras apresentaram valores entre R$ 30 e R$ 50, e os supermercados, entre R$ 33,99 e R$ 58. O preço de R$ 26 encontrado na Feira da 25 está abaixo da média para o tipo grosso calculada pelo Dieese (R$ 43,11), mas dentro da faixa registrada nas feiras livres.
Custos e exportação dificultam queda mais acentuada no preço
O Dieese aponta que, apesar do aumento da oferta, os preços ainda refletem os efeitos da entressafra, além do aumento nos custos de produção, transporte e comercialização. A demanda crescente, tanto interna quanto externa, mantém os valores relativamente elevados, especialmente para o açaí grosso.
Leoclides comenta que a oscilação do mercado impacta diretamente os comerciantes, que enfrentam variações abruptas no custo do caroço. “Se hoje eu compro caroço barato, amanhã ele pode custar o dobro, mas não posso aumentar o preço do litro imediatamente”, explica.
Durante o inverno, período de menor oferta, o preço de uma lata de açaí pode variar entre R$ 60 e R$ 90, dependendo da qualidade. Em casos mais críticos, o valor pode chegar a R$ 230. Esse cenário faz com que alguns comerciantes acumulem dívidas significativas para manter os negócios abertos.
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Perspectivas indicam continuidade na queda, mas equilíbrio será determinante
O Dieese prevê que os preços devam continuar caindo com o avanço da safra e maior oferta, desde que não ocorram problemas climáticos ou logísticos que impactem a comercialização. Para os vendedores, o comportamento do mercado dependerá do equilíbrio entre oferta e demanda. Leoclides observa que uma oferta muito maior pode provocar novas quedas, mas ressalta que o mercado está diferente dos anos anteriores.
Ele também destaca que manter a qualidade do produto sem aumentar preços é um desafio para muitos estabelecimentos. “Se vender açaí pela metade do preço, terei que reduzir a qualidade, o que pode prejudicar a loja”, afirma.
Consumidores já sentem alívio no preço do açaí
Entre os consumidores, a percepção é de que o açaí ficou mais acessível no segundo semestre. Sandra Nunes, contadora, relata que passou a pagar entre R$ 15 e R$ 18 pelo litro do tipo médio em seu local habitual, contra preços anteriores entre R$ 30 e R$ 35.
“Está mais acessível, o que é importante para quem consome açaí diariamente, como meu pai”, comenta Sandra, reforçando o impacto direto no bolso do consumidor.
Apesar da queda, o Dieese ressalta que o açaí grosso ainda está acima do valor registrado no mesmo período do ano passado e acumula reajuste superior à inflação medida pelo INPC/IBGE nos últimos 12 meses.
