Mostra Tekó de Artivismo Indígena
Nos dias 29 e 30 de maio, o Sesc Ver-o-Peso, em Belém, será palco da terceira edição da Mostra Tekó de Artivismo Indígena. Este evento, que não possui custos para o público, é viabilizado por meio do Edital Estadual da Lei Aldir Blanc e promete reunir uma rica diversidade de etnias e expressões artísticas. A programação inclui espetáculos de dança, performances musicais e artes cênicas, além de mostras audiovisuais, feiras de artesanato e exposições de arte plástica. Também estão programadas oficinas que abordam teatro, cultura alimentar, pintura corporal e quadrinhos, todas organizadas pelo Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena.
Artistas locais, residentes na região metropolitana de Belém, estarão em destaque. Entre eles, podemos mencionar a coreógrafa Rô Colares, doutora em Artes e integrante do Povo Arapium; a cineasta e diretora teatral Célia Maracajá; a artista plástica Cely Feliz Arikem; o escritor e roteirista Porakê Munduruku; e a banda Toró Açu, que reúne membros do Povo Guajajara e comunidades quilombolas.
A relevância da mostra é evidente nos números: “Oficialmente, somos 3.389 indígenas que residem na Grande Belém. Um número que tende a aumentar com a conscientização sobre a importância da autodeclaração entre os descendentes indígenas, que representam uma parte significativa da população paraense”, destaca Naira Camecran, integrante do Tekó e da Coordenação da Mostra. Ela ainda ressalta que a população Warao, estimada em pelo menos 800 pessoas na região, muitas vezes não é contabilizada adequadamente, sendo tratada como imigrante nos dados oficiais.
Leia também: Líder Evangélico e Ex-Vereador Paulo Queiroz Morre aos 73 Anos em Belém
Leia também: MPPA Atua na Proteção Ambiental na Avenida Liberdade em Belém
Pyatã Tupinambá, também membro do coletivo e da coordenação do evento, complementa: “Nosso objetivo é fortalecer a presença indígena na cena cultural de Belém, promover o intercâmbio enriquecedor entre diferentes povos e impulsionar a economia circular, cultivando nossos laços comunitários e divulgando produtos e serviços oferecidos por indígenas”. O evento, portanto, se configura como uma plataforma para a visibilidade e valorização da cultura indígena.
Além dos artistas locais, a terceira edição da Mostra Tekó também contará com a participação de convidados de outras regiões do Pará. A quadrinhista Marcela Poenna, do Povo Arapium e integrante do Coletivo Makira do Baixo Tapajós, e Marineide Juruna, liderança do Baixo Xingu e reconhecida mestra da cultura alimentar, são algumas das convidadas que enriquecerão a programação.
Leia também: Japeri: Ações Ambientais Transformam Praça do Skate em Nova Belém
Leia também: Oportunidades de Emprego: Multinacional Tupy Seleciona 50 Vagas em Belém para Santa Catarina
O Tekó é um coletivo multiétnico que reúne indígenas que vivem em Belém e, desde sua fundação em abril de 2022, utiliza a arte como ferramenta para enfrentar o apagamento da presença étnico-racial nas periferias. O grupo se dedica ao combate ao etnocídio de povos originários, criando conexões entre a comunidade indígena, a população local e a natureza, afirmando a ancestralidade como um valor fundamental. Sua atuação é reconhecida oficialmente, possuindo certificação como Ponto de Cultura pela Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.
Data e horários: 29 de maio, das 17h às 21h, e 30 de maio, das 9h às 21h. Local: Sesc Ver-o-Peso, Boulevard Castilhos França, 522/523 – Campina.
