Alerta sobre o avanço do El Niño e seus impactos na Amazônia
O Pará está em alerta diante da projeção de uma estiagem rigorosa provocada pelo fenômeno El Niño, prevista para o segundo semestre de 2026 e início de 2027. As consequências incluem a queda significativa no nível dos rios, ausência prolongada de chuvas e aumento dos incêndios florestais na região amazônica. Essa situação acende um sinal de atenção para autoridades e setores econômicos, especialmente o de transporte fluvial.
Adaptação do setor de transporte fluvial à nova realidade climática
Após as crises ambientais e logísticas enfrentadas em 2023 e 2024, as empresas de transporte fluvial alteraram sua postura, incorporando a seca como uma variável constante em seus planejamentos operacionais. Cidades localizadas no Sul, Sudeste, Oeste e na região da Transamazônica, como Marabá e Altamira, estão em situação crítica devido ao clima seco, que facilita a propagação rápida de queimadas, comprometendo a qualidade do ar e aumentando os riscos à saúde pública, especialmente para grupos vulneráveis.
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) intensificou a fiscalização contra queimadas e enviou orientações técnicas para auxiliar as prefeituras na gestão da crise da estiagem. Paralelamente, o setor de transporte está antecipando o envio de cargas, principalmente entre setembro e novembro, e utilizando centros de estocagem em Belém, que funcionam como um “pulmão logístico” para assegurar o abastecimento de itens essenciais, como alimentos e medicamentos.
Medidas estratégicas para garantir abastecimento durante a seca
Para atender a uma previsão de aumento em 20% na demanda por transporte preventivo, as empresas privadas estão ampliando suas frotas com balsas de maior capacidade e expandindo as áreas portuárias. Essa ação visa manter a logística fluida diante das dificuldades impostas pela baixa navegabilidade dos rios.
Leia também: El Niño pressiona inflação e eleva custos de alimentos e produção no Pará
Leia também: Fórum em Belém destaca ações concretas para combater a crise climática na Amazônia
Dagoberto Madono, diretor de Novos Negócios da Combitrans, destaca que a seca deixou de ser um evento excepcional e agora é considerada uma constante no planejamento logístico regional. Segundo ele, o intervalo entre os períodos de estiagem tem se reduzido drasticamente, exigindo uma nova abordagem para as operações.
Riscos ambientais e saúde pública em foco
A situação climática desfavorável, caracterizada por calor intenso, baixa umidade e vegetação seca, coloca municípios do Sul, Sudeste, Oeste e da Transamazônica em alerta máximo. Cidades como Marabá, São Félix do Xingu, Altamira e Novo Progresso necessitam de monitoramento constante devido ao risco elevado de queimadas.
O El Niño altera a circulação atmosférica, dificultando a formação de nuvens e prolongando a estiagem. Isso resseca o solo e a vegetação, tornando áreas florestais e pastagens altamente inflamáveis. Como resultado, o Pará enfrenta o perigo de incêndios florestais de rápida propagação, além de uma queda expressiva na qualidade do ar pela fumaça, agravando doenças respiratórias em crianças, idosos e outros grupos vulneráveis.
Experiência recente reforça a urgência das ações
Em 2023, a estiagem severa baixou o nível de rios como o Tapajós, levando Santarém a decretar estado de emergência. O isolamento de comunidades ribeirinhas e as dificuldades na logística, sobretudo nas BR-230 e BR-163, comprometeram o transporte de cargas e o abastecimento de itens básicos.
Leia também: El Niño: ONU prevê intensificação com impacto global em 2024
Fonte: cidaderecife.com.br
Leia também: El Niño 2026: Fenômeno Climático Começa e Pode Se Tornar “Muito Forte”
Fonte: joinews.com.br
Para evitar que esses impactos se repitam, órgãos públicos intensificaram o monitoramento e adotaram medidas preventivas nas áreas mais vulneráveis. O MPPA lidera o esforço, realizando mapeamento dos municípios em maior risco, aumentando a fiscalização contra queimadas e disseminando diretrizes técnicas para que as prefeituras possam se preparar adequadamente.
Estratégias logísticas para manter o abastecimento
Com o objetivo de evitar o desabastecimento e o isolamento de comunidades, as empresas de transporte antecipam as cargas entre setembro e novembro e utilizam centros de armazenagem em Belém como pontos estratégicos para garantir entregas contínuas, mesmo durante períodos críticos dos rios.
Produtos essenciais, como alimentos, medicamentos e itens de higiene, recebem prioridade nos planos de contingência. A ampliação da frota com balsas de grande capacidade e a expansão das áreas portuárias também fazem parte das estratégias para responder ao aumento da demanda durante a seca.
Essas ações refletem a adaptação necessária para enfrentar um cenário climático cada vez mais desafiador, buscando assegurar a continuidade do abastecimento e minimizar os impactos ambientais na região amazônica.
