Arte Pará 2026: a força da criação amazônica
Em Belém, a arte se faz presente como um diálogo vivo entre o tempo, a vida e a criação. No Arte Pará 2026, que será inaugurado em 5 de novembro no Museu do Estado do Pará (MEP), o público terá a oportunidade de conhecer trabalhos de 25 artistas visuais que traduzem suas trajetórias e vivências na Amazônia. A exposição, promovida pelo Grupo Liberal, revela como simples materiais – uma madeira ou uma tela – podem se transformar em marcas permanentes da existência humana.
Dentre os artistas selecionados, destacam-se Maurileno Sanches, Itatiane Moraes e Flori Jacamo, cuja obra reflete a diversidade cultural e a memória da região. Com origens e trajetórias distintas, eles mostram como a arte amazônica se conecta com as raízes e o cotidiano local, dialogando ainda com valores universais da criação artística.
Expressão e vida na obra de Flori Jacamo
Flori Jacamo, chilena de nascimento e residente em Belém há 23 anos, entende sua produção artística como extensão da própria vida. Aos 68 anos, ela trabalha com fotografia, pintura em acrílico, poesia e outras linguagens, explorando a expressão humana em suas múltiplas formas. Para Flori, a arte não se separa do sentir e do acontecer, sendo uma forma de manifestar voz, crítica e ternura.
Participar do Arte Pará 2026 é para ela um momento especial. “É um privilégio ser selecionada para uma mostra tão significativa, que me traz uma alegria profunda”, compartilha a artista. Sua obra reflete essa conexão intensa entre criação, memória e sensibilidade.
Memória e identidade nas esculturas de Itatiane Moraes
Natural de Cametá, no nordeste paraense, Itatiane Moraes tem 43 anos e iniciou sua trajetória artística em 2004, ao se mudar para Belém e participar de oficinas na Fundação Curro Velho. A escultura surgiu como uma forma natural de dar forma às suas ideias e conectar-se com suas raízes ribeirinhas.
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Itatiane destaca o nó do taperebazeiro como foco principal de sua pesquisa atual, material que carrega forte identidade local. Seu processo criativo se apoia na observação e na memória, buscando preservar a força do material enquanto explora novas possibilidades formais. “A arte é memória, identidade e transformação”, afirma, ressaltando que seu trabalho busca contar histórias que muitas vezes escapam das palavras.
Ser selecionada para o Arte Pará 2026 representa para ela um reconhecimento importante e a chance de ampliar o alcance de sua pesquisa, mostrando a importância da cultura ribeirinha na arte contemporânea.
Tradição e inovação na obra de Maurileno Sanches
Com 31 anos de carreira, o belenense Maurileno Sanches carrega em sua trajetória a influência da família, famosa pela produção de imagens sacras em madeira desde o início do século XX. Filho do Mestre Feliciano e sobrinho do Mestre Mauriz, ambos de Cametá, ele cresceu entre oficinas e madeiras, construindo um diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade.
Seu trabalho com madeiras típicas da Amazônia, como cedro e acapu, inclui esculturas feitas a partir do reaproveitamento dos esteios das antigas palafitas da Vila da Barca. Essa prática ressignifica materiais impregnados de história e memória, transformando-os em novas obras que preservam o passado.
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Para Maurileno, a arte é uma forma de contar sua história e dialogar com a do seu território. Ser selecionado para o Arte Pará 2026, após ter participado pela primeira vez em 1999, representa um reencontro com sua trajetória e o reconhecimento da continuidade da tradição familiar que ele reinventa em seu trabalho.
Arte Pará: um espaço para a cultura amazônica
Idealizado por Romulo Maiorana e Déa Maiorana, o Arte Pará chega à sua 42ª edição com o compromisso de valorizar a produção artística da Amazônia. A curadoria de 2026 está sob responsabilidade da artista visual Keyla Sobral, e a mostra conta com patrocínio da Phebo e da Vale, além do incentivo da Lei Rouanet.
Uma das salas será dedicada à artista Carmen Sousa, homenageada desta edição. O evento reafirma o papel do Arte Pará como um espaço fundamental para a circulação, valorização e reconhecimento da arte regional, conectando artistas, público e instituições em torno da cultura amazônica.
Ao reunir artistas que expressam a identidade, a memória e o cotidiano da região, o Arte Pará 2026 reforça a força da arte como instrumento de diálogo, preservação e transformação cultural na Amazônia.
