Território e Ancestralidade no Coração do Sairé
Mais do que uma área geográfica, o território representa a história e a cultura que permeiam a vida de quem nasce e se cria ali, preservando saberes ancestrais que se manifestam diariamente. Com essa perspectiva, a Festa do Sairé será oficialmente inaugurada nesta quinta-feira (17) na Vila de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará. O evento, um dos mais importantes da Amazônia, abraça o tema “Rēdawa Ancestral – Território, Memória e Continuidade”, que traduz uma visão nheengatu do território como uma rede viva de relações entre meio ambiente, espiritualidade e modos de vida, inspirada na experiência do povo indígena Borari.
Desde o último sábado (12), o Sairé 2026 tem movimentado a região com a tradicional Busca dos Mastros. A programação se estende por diversos espaços, incluindo o Palco Marambiré, na Praça 7 de Setembro, que reúne artistas locais e regionais, ampliando o leque cultural da festa. Os principais pontos de encontro são o Barracão do Sairé, a Praça do Sairé, o Palco Ludimar Lobato, o Palco Marambiré e o Lago dos Botos, onde acontecem ritos, apresentações e festivais.
A Tradição que Sustenta a Identidade de Santarém
Segundo o prefeito José Maria Tapajós, o Sairé carrega a história, a fé e a identidade do povo santareno. A programação foi cuidadosamente construída para respeitar as tradições e acolher visitantes que desejam vivenciar essa manifestação cultural. O evento movimenta a cultura local, o turismo e a economia, mas principalmente mantém viva uma tradição que pertence à comunidade.
A abertura oficial começa na madrugada de quinta-feira (17), com a Alvorada do Sairé às 4h20, seguida pela Busca dos Juízes às 6h, um cortejo religioso que traz o público para a celebração da Bênção de Ação de Graças às 7h. A partir das 8h, a Procissão da Busca dos Mastros, o Hasteamento das Bandeiras e o Cortejo culminam no corte simbólico da fita. À noite, a programação cultural ganha vida com danças folclóricas e shows, incluindo a apresentação da banda nacional Psirico.
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Festival dos Botos e Música na Programação Cultural
Na sexta-feira (18), o Lago dos Botos será palco para as apresentações dos Botos Mirins, com a Companhia Boto Rosa Mirim e o grupo Tucuxi do Amanhã. A programação musical no Palco Marambiré terá o cantor Nattan como atração nacional, marcando o início das atividades culturais no local.
O sábado (19) reserva um dos momentos mais aguardados: o Festival dos Botos. No Lago dos Botos, o Boto Cor de Rosa se apresenta das 21h às 23h, seguido pelo Boto Tucuxi na madrugada do domingo (20). A música fica por conta da Banda Warilou, Fruta Quente e o show nacional de Solange Almeida. O Boto Cor de Rosa, atual campeão do festival em 2025, busca seu 13º título após vencer por diferença mínima.
Entre Ritos, Danças e Saberes Tradicionais
A secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, destaca que a Festa do Sairé é uma celebração que integra religiosidade, ritos, mestres, foliões, botos, música, dança e saberes transmitidos entre gerações. O domingo (20) da festa terá ladainha, café da manhã, imersão cultural com mestres foliões, Rito da Folia e Missa, além de shows de Thays Sodré, Lana & Junior e Biguinho Sensação. À noite, o grupo Kamisa 10 encerra as atrações nacionais.
Na segunda-feira (21), o Dia da Varrição marca o encerramento com café da manhã, Derrubada dos Mastros e ritual final no Barracão do Sairé, com participação das folias de Gambá de Pinhel e São Tomé de Óbidos. A apuração do Festival dos Botos ocorre às 17h no Lago dos Botos.
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Incentivo Cultural e Parcerias que Fortalecem o Sairé
O Sairé 2026 é viabilizado por meio da Lei Rouanet e do Semear – Programa Estadual de Incentivo à Cultura, contando com patrocínio de empresas como Equatorial Energia, Banpará, Coca-Cola, Amstel, Vivo e Companhia Docas do Pará. Apoios da Maná Produções, Assessoria Cultural, Borari Produções, Secretaria de Estado de Cultura do Pará, Fundação Cultural do Estado do Pará, e realização da Prefeitura de Santarém e Comunidade de Alter do Chão consolidam a festa como um evento de grande significado cultural.
Raízes e Identidade do Sairé
Priscila Castro reforça que o Sairé nasceu do encontro entre a cultura indígena do povo Borari e as tradições cristãs trazidas pelos jesuítas no século XVII. Ao longo dos séculos, essa mistura incorporou outras influências, criando uma manifestação singular que hoje é reconhecida como patrimônio cultural nacional desde 2024.
Com mais de três séculos de tradição, o Sairé é uma das manifestações culturais mais antigas da Amazônia. Suas duas programações — religiosa e festiva — se entrelaçam em ritos como a Alvorada, Busca dos Juízes, Bênção de Ação de Graças, Levantação dos Mastros, ladainhas, Folia, Beija-Fita e Missa, enquanto na festa acontecem danças, apresentações musicais e o emblemático Festival dos Botos.
Casa Santarém: Espaço de Encontro e Valorização Cultural
Outra atração que merece destaque é a Casa Santarém, espaço temático na Praça do Sairé que desde 2025 promove a cultura, turismo, economia criativa e o empreendedorismo local. O local funciona como um ponto de encontro entre moradores, visitantes, produtores culturais, artesãos e pesquisadores, fortalecendo a circulação dos saberes tradicionais e a valorização da identidade regional.
