Reajuste na tarifa de energia preocupa moradores de Belém
O anúncio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o reajuste médio de 6,94% nas tarifas residenciais paraenses acendeu o sinal de alerta em Belém. A decisão ocorre em meio a um período de calor intenso, quando o consumo de energia elétrica tende a crescer, aumentando ainda mais o peso da conta no orçamento das famílias.
Luiz Carlos Mendes, comerciante que atua com um carrinho de lanches na avenida Romulo Maiorana, no bairro do Marco, exemplifica o impacto direto dessa medida. Ele relata que atualmente paga cerca de R$ 900 na conta de luz, valor que pode chegar a R$ 970 com o aumento. “A energia já é cara e o aumento surge justamente no momento em que o calor exige mais uso dos aparelhos. Meu irmão, em São Paulo, paga cerca de R$ 300 mesmo tendo três televisores. Fico sem entender essa disparidade, já que o Pará possui hidrelétricas. Recorrer a quem?”, questiona.
Famílias enfrentam dificuldade para equilibrar orçamento diante do reajuste
Dalva Costa, moradora do bairro da Pedreira há mais de 50 anos, compartilha a preocupação. Ela vive com o marido aposentado, uma filha e duas netas e já considera alta a conta de energia, que foi de R$ 684,36 em julho e caiu para R$ 533,35 em agosto, mesmo sem o uso de ar-condicionado. Com o reajuste de quase 7%, a perspectiva é de aumento significativo no valor a ser pago. “Já é difícil pagar o que está, imagina com esse aumento”, afirma Dalva, ressaltando a necessidade de economizar, apesar do calor ser intenso e tornar difícil o uso reduzido de ventiladores.
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Luciana Costa, filha de Dalva, mora também no bairro da Pedreira e tem uma rotina diferente. Com dois aparelhos de ar-condicionado em casa, ela e o marido, Hugo Brasil, que trabalha como eletricista, conseguem manter a conta em torno de R$ 400. Hugo explica que a economia acontece porque todos os equipamentos da casa são tecnologia inverter, que consome entre 40% e 60% menos energia comparado aos modelos tradicionais. “O investimento inicial é maior, mas a economia na conta compensa”, detalha Hugo, que já trabalhou na antiga Celpa, empresa que atuava na área de energia em Belém.
Setor supermercadista prevê impacto no custo dos produtos
O reajuste na tarifa também preocupa o setor comercial. Jorge Portugal, presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), explica que a energia representa um custo significativo para o funcionamento dos supermercados, que dependem do uso constante de câmeras frigoríficas e ar-condicionado. “O aumento da tarifa, mesmo que de 6,94%, afeta os custos operacionais e inevitavelmente reflete no preço final dos produtos”, avalia. Embora o reajuste não seja repassado integralmente, Portugal destaca que qualquer alta na conta de luz acaba impactando o consumidor final.
O cenário evidencia como o reajuste na tarifa de energia elétrica não afeta apenas as residências, mas também o comércio local, que pode repassar os custos para o consumidor, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias em Belém.
