Comunidades e ciência juntas na luta contra queimadas
O projeto Sem Flama surge como uma resposta necessária para reduzir os impactos devastadores das queimadas na Floresta Nacional do Tapajós e na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no oeste do Pará. A iniciativa, que foi apresentada recentemente às comunidades locais e instituições da região, pretende atender cerca de 31 mil moradores distribuídos em 91 comunidades e aldeias indígenas dessas áreas protegidas.
Desafios no combate às queimadas na Amazônia
O uso tradicional do fogo para o preparo de roças, somado às mudanças climáticas e à degradação da floresta, aumenta o risco de incêndios fora de controle. Um exemplo alarmante foi o incêndio de 2015, que consumiu aproximadamente um milhão de hectares na região, causando danos ambientais e sociais profundos.
Além disso, as queimadas de pequena escala, especialmente no interior da floresta, são difíceis de serem detectadas por satélites, o que dificulta o monitoramento e a resposta rápida. Para enfrentar essa realidade, o Sem Flama propõe a criação de alternativas ao uso do fogo e um sistema de monitoramento e alerta que envolva diretamente os moradores locais, valorizando o conhecimento tradicional aliado à tecnologia.
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Estrutura e parcerias do projeto Sem Flama
Com duração prevista de quatro anos, o projeto é coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental e financiado pelo CNPq. A iniciativa reúne um amplo conjunto de parceiros, como associações comunitárias, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), além de instituições de pesquisa renomadas como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad).
Universidades brasileiras e estrangeiras também participam do projeto, incluindo a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Universidade de Brasília (UnB), e instituições internacionais como Cambridge, Lancaster, Manchester e Oxford. Essa colaboração multidisciplinar busca fortalecer o desenvolvimento de soluções eficazes para o monitoramento do fogo e a preservação da floresta.
Impacto e expectativa para o futuro
Ao integrar o conhecimento das comunidades locais com a expertise científica, o Sem Flama pretende construir um sistema de alerta prático e eficiente, capaz de identificar rapidamente focos de queimadas e evitar que pequenos incêndios se transformem em grandes desastres ambientais. A atuação conjunta também visa promover alternativas sustentáveis ao uso do fogo, preservando a biodiversidade e a qualidade de vida dos moradores da região.
Essa iniciativa representa uma estratégia fundamental para proteger a Floresta Nacional do Tapajós e a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, áreas vitais para a conservação da Amazônia e para o equilíbrio ambiental do Pará.
