Uma Nova Era de Igualdade de Gênero e Sustentabilidade
No próximo domingo, dia 8 de março de 2026, comemoramos mais um Dia Internacional da Mulher. Este ano, as demandas por igualdade de gênero estão mais fortes do que nunca, com um toque peculiar da cultura paraense e um impacto global inegável. O Plano de Ação de Gênero de Belém, aprovado durante a significativa Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em nossa metrópole amazônica no final do ano passado, torna-se uma referência essencial para as políticas ambientais mundiais, colocando as vozes femininas no centro da luta contra a crise climática.
A desigualdade de gênero, historicamente enraizada nas estruturas sociais, torna as mulheres as mais vulneráveis aos desastres naturais. Segundo dados da ONU Mulheres e do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cerca de 80% das pessoas deslocadas por eventos climáticos adversos em todo o mundo são mulheres. Quando as terras se tornam áridas, como descrito nas obras do renomado autor Dalcídio Jurandir, ou quando os rios transbordam, devastando lares, são elas que percorrem longas distâncias em busca de água potável e alimento para suas famílias. No entanto, apesar dessa realidade desafiadora, a força das mulheres resiste e se impõe, transformando suas vozes vulneráveis em liderança na busca por soluções efetivas.
Conforme afirma Elena Barros, pesquisadora sênior do Observatório do Clima, a incorporação da igualdade de gênero nas metas de sustentabilidade é um divisor de águas nas esferas diplomática e financeira. “O Plano de Ação de Gênero de Belém não se limita a ser uma declaração de intenções; ele apresenta critérios rigorosos para garantir o financiamento obrigatório de iniciativas de adaptação e mitigação chefiadas por mulheres nos locais mais vulneráveis do planeta”, destaca a especialista. Com essa abordagem, o foco se desloca para o redirecionamento de recursos para quem realmente se compromete a transformar a realidade social e ambiental.
O novo documento internacional se propõe a reconhecer e documentar o trabalho contínuo de ativistas, cientistas, comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas que, desafiando as intempéries, protegem a biodiversidade local de maneira prática. A resistência dessas mulheres é semelhante à persistência das marés do nosso rio Guamá, lutando por um futuro em que a água seja um símbolo de vida, e não uma ameaça. Elas reivindicam, legitimamente, seus lugares nas mesas de negociações, onde bilhões de dólares dos fundos verdes são alocados. A força do açaí, como canta Nilson Chaves, simboliza essa energia vital que impulsiona suas lutas diárias.
A resiliência das mulheres, especialmente das amazônidas, é digna de grandes narrativas épicas. Elas estão no centro de um movimento de sobrevivência e demonstram que a combinação do conhecimento tradicional com a ciência de dados é a chave para conter a crescente temperatura global. O tempo de ficar à margem das grandes decisões acabou; agora, as mulheres se afirmam como protagonistas nas discussões que moldam o futuro.
Para as cidadãs, estudantes e ativistas que desejam acompanhar a implementação dessas diretrizes e cobrar ações efetivas de seus representantes, o Plano de Ação de Gênero de Belém está disponível para consulta online no portal da UNFCCC. Além disso, coletivos de mulheres e ambientalistas promoverão uma série de rodas de conversa ao longo desta semana no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, com entrada gratuita, para discutir como transformar as diretrizes do plano em ações práticas que impactem diretamente nossas comunidades.
A luta por igualdade de gênero está intrinsecamente ligada à batalha pelo direito de viver em um planeta saudável e sustentável. Seguindo esse ritmo, continuaremos a marchar e a definir as regras, com a mesma energia vibrante de um tecnobrega em plena festa, ou com a cadência firme do carimbó de Dona Onete.
