Os Segredos da Coluna Felina
A habilidade dos gatos de sempre aterrisar de pé tem fascinado cientistas por mais de um século. Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade de Yamaguchi, no Japão, apresentou a explicação mais abrangente sobre esse fenômeno. Segundo eles, a resposta reside na estrutura única da coluna vertebral dos felinos.
O estudo, que foi publicado no periódico The Anatomical Record, analisou as propriedades mecânicas da espinha de cinco gatos que não estavam mais vivos e registrou, por meio de câmeras de alta velocidade, a queda de dois gatos soltos de uma altura aproximada de um metro. “Para garantir a segurança dos animais, utilizamos uma almofada grossa e macia como ponto de impacto”, explicou Yasuo Higurashi, fisiologista e autor principal do estudo, em entrevista ao New York Times. “Um dos nossos alunos era responsável por lançar os gatos no experimento.”
A Estrutura Flexível e o Movimento do Gato
A principal descoberta do estudo é que a coluna dos gatos não apresenta uma flexibilidade uniforme. A parte torácica superior da coluna pode girar até 360 graus com facilidade, enquanto a região lombar é muito mais rígida. Essa combinação anatômica permite que os gatos consigam girar primeiro a cabeça e as patas dianteiras em direção ao solo, enquanto o resto do corpo se ajusta em seguida, com a lombar atuando como um estabilizador durante a queda.
Higurashi ressaltou que “a coluna torácica do gato pode girar quase como um pescoço humano”. O estudo descreveu uma sequência de movimentos bem definida: a rotação da parte frontal do corpo é finalizada antes que a parte posterior execute seu giro, confirmando um padrão esperado conhecido como “legs in, legs out”. Esse modelo sugere que os gatos estendem seus membros traseiros antes de retraí-los, orientando-se para assumir a posição correta ao aterrissar.
Preferência pela Direita e Aplicações Práticas
Outro ponto interessante que surgiu da pesquisa foi a possível preferência dos gatos pelo lado direito. Durante as quedas estudadas, um dos felinos se reorientou para a direita em todas as oito quedas analisadas, enquanto outro fez o mesmo em 75% das vezes, ou seja, em seis das oito quedas.
Greg Gbur, físico da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte e especialista na área, considerou o estudo como um marco no entendimento da biomecânica dos gatos. Ele destacou que é a primeira pesquisa que investiga como a estrutura da coluna vertebral do gato influencia sua capacidade de girar durante as quedas.
Além de elucidar esse enigma que perdura por mais de um século, os pesquisadores também apontaram aplicações práticas para suas descobertas. Os achados podem ser fundamentais para veterinários que tratam lesões na coluna de animais, além de inspirar o desenvolvimento de robôs que imitam essa habilidade felina. Para Higurashi, o próximo passo envolve a construção de modelos matemáticos e tridimensionais que levem em conta esses novos dados, aprimorando ainda mais o conhecimento sobre a anatomia felina e suas implicações.
