Integração Tecnológica e Modernização do SUS
Nos dias 15 e 16 de março, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, conduziu uma agenda estratégica na China, visando à modernização do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa missão oficial reúne representantes do governo brasileiro, instituições científicas, órgãos reguladores e hospitais públicos, com foco em estabelecer parcerias internacionais que promovam a inovação tecnológica na saúde.
A missão, que se estenderá até 19 de março, procura expandir colaborações na área de tecnologia médica e digitalização da saúde, além de incentivar a produção industrial local e atrair investimentos. “Serão cinco dias intensos de negociações. O objetivo é integrar novas tecnologias hospitalares, equipamentos para a atenção primária e desenvolver vacinas e tratamentos inovadores, principalmente para o câncer e doenças do sangue. Queremos modernizar o SUS e, ao mesmo tempo, fomentar a produção dessas tecnologias no Brasil, gerando empregos e conhecimento em parceria com universidades e centros de pesquisa”, declarou Padilha.
Desenvolvimento de Parcerias com Gigantes da Tecnologia em Saúde
No primeiro ciclo de reuniões em Shenzhen, o ministro encontrou executivos de três grandes corporações globais do setor: Neusoft, Mindray e Huawei. O objetivo dessas conversas é estabelecer investimentos e colaborações industriais que apoiarão a criação da primeira rede de serviços de saúde inteligentes do SUS, que incorporará tecnologias digitais e inteligência artificial.
A Neusoft, renomada empresa de tecnologia da informação na saúde, apresentou soluções para gestão hospitalar digital, integração de dados clínicos e suporte à decisão médica. A empresa também anunciou um investimento que permitirá a instalação de uma fábrica de equipamentos de imagem em Santa Catarina, o que representa um passo importante para a ampliação da presença industrial no Brasil.
Na reunião com a Mindray, a maior fabricante chinesa de equipamentos médicos, foram discutidas oportunidades para a oferta de equipamentos hospitalares e a criação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) inteligentes, utilizando inteligência artificial. A Mindray já está presente no Brasil há mais de 19 anos, atendendo mais de 6 mil instituições de saúde e com 353 equipamentos registrados na Anvisa.
Foco em Inovação e Transferência de Tecnologia
As discussões também contemplaram parcerias de desenvolvimento produtivo (PDPs) com instituições públicas brasileiras, priorizando a pesquisa e a transferência de tecnologia para a produção local de equipamentos médicos. Padilha reforçou que o diálogo com essas empresas é parte da estratégia do governo para criar uma rede nacional de serviços de saúde conectados e inteligentes.
“Reunir-se com gigantes da tecnologia médica chinesa é uma oportunidade de fortalecer a capacidade produtiva do Brasil em soluções para hospitais e atenção primária. Essas parcerias são fundamentais para construir a rede de serviços e hospitais inteligentes que estamos desenvolvendo no país, com apoio financeiro do governo e do Banco dos Brics”, destacou o ministro.
Infraestrutura e Sistemas Inteligentes na Saúde
Durante a missão, Padilha participou de reuniões com a Huawei, focadas em infraestrutura digital e sistemas de nuvem, essenciais para a operação da nova rede de serviços inteligentes do SUS. A cooperação discutida visa integrar dados clínicos, melhorar a gestão hospitalar e expandir o uso de inteligência artificial na saúde pública brasileira.
Visita a um Hospital Inteligente
A delegação brasileira também visitou o Shenzhen Nanshan People’s Hospital, um modelo internacional em hospital inteligente. A unidade utiliza tecnologias avançadas, como inteligência artificial para diagnósticos, robôs logísticos e sistemas automatizados de análise de biópsias, que permitem o monitoramento em tempo real de pacientes, facilitando a tomada de decisões médicas e reduzindo riscos.
Energia e Medicina Nuclear
Outro ponto da agenda incluiu uma visita à China General Nuclear Power Group, uma das líderes mundiais em energia nuclear. A discussão envolveu soluções energéticas para hospitais, como microrredes elétricas e sistemas de segurança energética, essenciais para garantir a operação contínua das unidades de saúde. Também foram abordadas questões relacionadas à produção e logística de radiofármacos, fundamentais para diagnósticos e terapias em medicina nuclear, especialmente no tratamento de câncer.
A iniciativa tem o potencial de expandir o acesso do SUS a diagnósticos de alta precisão e terapias oncológicas avançadas.
Próximos Passos da Missão
Nos próximos dias, a missão brasileira se dirigirá a Chengdu e Xangai, onde o ministro Alexandre Padilha visitará novos hospitais inteligentes e centros de inovação em saúde, além de continuar o diálogo com instituições científicas e empresas do setor.
