Iniciativa Promove Educação e Apoio a Pacientes com TEA
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi o foco de uma importante ação educativa na Policlínica Estadual da Região Nordeste II, em Posse, Goiás. A unidade, que é administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), organizou um evento para pacientes e acompanhantes, promovendo orientação, acolhimento e troca de experiências. Com a participação de uma equipe multiprofissional, a iniciativa buscou aumentar a conscientização sobre o TEA, estimulando tanto o autocuidado quanto a adesão a tratamentos que considerem a saúde integral, incluindo os aspectos físicos, emocionais e nutricionais.
Dados do Censo de 2022 indicam que o Brasil conta com aproximadamente 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA, o que representa cerca de 1,2% da população. Durante o evento, profissionais de psicologia ressaltaram que o autismo, como é comumente conhecido, é um transtorno do neurodesenvolvimento que não tem cura, mas que pode ser tratado com intervenções eficazes, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente. A mediação antecipada e o acompanhamento psicológico contínuo são considerados fundamentais para fortalecer o emocional das famílias que lidam com a condição.
A psicóloga Larissa dos Santos enfatiza a importância de reconhecer sinais de alerta para assegurar um desenvolvimento saudável da criança e um suporte adequado à família. “A criança com TEA não percebe o mundo de maneira errada, mas de forma diferente. Um diagnóstico precoce, aliado a um acompanhamento apropriado, pode potencializar habilidades, promover autonomia e proporcionar melhor qualidade de vida, tanto para a criança quanto para os familiares”, afirma Larissa, que integra a equipe da Policlínica.
Importância do Cuidado Multidisciplinar
O cuidado multidisciplinar é essencial para o desenvolvimento de crianças com TEA. A fisioterapeuta Danúbia Rafaela Oliveira destacou que a fisioterapia desempenha um papel crucial no desenvolvimento motor, sensorial e funcional, focando na autonomia e na inclusão social. Segundo Danúbia, a intervenção precoce ajuda a prevenir problemas posturais e osteoarticulares, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo e social. “Nosso trabalho é individualizado e envolve exercícios psicomotores, atividades lúdicas, treinamento de marcha e fortalecimento muscular. Colaboramos com outras áreas para garantir maior independência nas atividades diárias e melhorar a qualidade de vida das crianças”, explicou.
Por sua vez, a nutricionista da unidade, Hanna Nobre, observou que alterações sensoriais são comuns em crianças com TEA e podem afetar a alimentação. Questões como textura, cheiro, sabor, temperatura e cor dos alimentos podem levar a padrões de seletividade alimentar, que podem mudar com o tempo. “Mesmo diante dessas limitações, é crucial estimular, de maneira respeitosa e gradual, a introdução de novos alimentos. Isso ajuda a evitar deficiências nutricionais e a garantir um desenvolvimento saudável”, detalhou Hanna.
A ação realizada pela Policlínica proporcionou um ambiente de escuta e esclarecimento para a comunidade, especialmente para mães de crianças com TEA, que compartilharam suas experiências e reflexões. O evento ressaltou a importância do cuidado integral e do trabalho colaborativo entre diferentes profissionais na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes e de seus acompanhantes.
