Iluminação Falha Após Inauguração
A nova pista expressa, que conecta a Alça Viária à Avenida Perimetral e integra três municípios da Região Metropolitana de Belém, foi inaugurada na última quinta-feira (3). No entanto, motoristas e ciclistas relataram trechos sem iluminação, o que gerou preocupações quanto à segurança na via. O governo do Pará anunciou que a situação já foi resolvida. Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), a falta de iluminação foi causada pelo furto de fiação elétrica em alguns pontos específicos da pista, que possui 14 quilômetros de extensão.
A inauguração ocorreu às 10h da manhã, mas à noite, a ausência de luz em várias áreas da via foi notada por quem passava pelo local. Com um investimento de R$ 410 milhões, a obra tinha sua entrega prevista para outubro de 2025, antes da Conferência do Clima da ONU (COP30), mas só foi finalizada cinco meses após o evento.
Promessas de Mobilidade e Acesso
A Avenida Liberdade, segundo o governo, é a primeira via expressa sem interrupções na Amazônia, com o objetivo de beneficiar mais de dois milhões de habitantes da região. A proposta é que a nova via traga maior fluidez ao trânsito, diminua o tempo de deslocamento e alivie o tráfego em outras importantes artérias da Grande Belém. Além disso, o corredor pode facilitar o acesso ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, melhorando a conectividade entre as regiões sul e sudeste do estado.
O projeto ainda prevê medidas ambientais, como a construção de 34 passagens de fauna – 22 aéreas e 12 subterrâneas –, e a preservação de áreas naturais. A obra também inclui quatro viadutos e duas pontes, com a intenção de ampliar a segurança e capacidade de tráfego.
Críticas e Impactos Ambientais
Entretanto, a construção da Avenida Liberdade não passou sem controvérsias. Moradores e ambientalistas expressaram fortes críticas, alegando danos significativos ao meio ambiente e à comunidade local. Famílias ribeirinhas, que dependem da pesca e extrativismo, relataram a destruição de seus meios de subsistência. “Quando vi a máquina derrubando o açaí, eu chorei de dor. Esse é nosso ganha-pão”, desabafou Ana Alice dos Santos, agroextrativista da região.
Ivanildo da Silva, um pescador local, confirmou a diminuição da fauna aquática: “O peixe sumiu, e a água está poluída”, referindo-se ao rio que sofre com a poluição e assoreamento. O projeto afetou cerca de 72 hectares de floresta e atravessou uma unidade de conservação, impactando diretamente 250 famílias de povos tradicionais. A Defensoria Pública do Estado do Pará já questionou judicialmente a obra, apontando a falta de consulta às comunidades afetadas.
Repercussão Internacional e Respostas
Em uma crítica notável, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para questionar a construção da avenida. “Devastaram a floresta do Brasil para construir uma rodovia de quatro pistas para ambientalistas. Virou um escândalo!”, comentou. O governador do Pará, Helder Barbalho, respondeu às críticas afirmando que Trump deveria focar em soluções para as mudanças climáticas, em vez de criticar obras que visam melhorar a infraestrutura.
O Ministério Público Federal (MPF) também ingressou com ações na Justiça para suspender as obras em áreas onde vivem ribeirinhos e garantir a regularização fundiária de territórios tradicionais. O MPF destacou que a construção prejudicou comunidades como Nossa Senhora dos Navegantes e Beira-Rio, sem a consulta necessária, e alertou sobre o desmatamento e a demolição de moradias sem a devida compensação.
Posicionamento do Governo
Em resposta às acusações, a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) defendeu que a obra possui todas as licenças ambientais necessárias, obtidas após um rigoroso processo de licenciamento. A Semas destacou que a construção foi discutida em audiências públicas, com ampla participação da população e representantes comunitários.
