Obra Ambiciosa com Desafios Sociais
A Avenida Liberdade, que se estende por 14 quilômetros, foi concebida para conectar a Alça Viária à Avenida Perimetral, integrando os municípios de Marituba, Ananindeua e Belém. A nova via visa apresentar uma alternativa de acesso à capital paraense, além de incluir três quilômetros de duplicação ao longo da Alça Viária.
Com uma entrega que antecipou a data inicial de outubro de 2025, em preparação para a Conferência das Partes (COP 30), a obra é apresentada como uma solução para os problemas históricos de mobilidade urbana na região. O projeto é parte de um complexo rodoviário que, com cerca de 74 km, conecta a Região Metropolitana de Belém ao interior do Pará e ao Porto de Vila do Conde, ligando a BR-316 à nova via.
Expectativas para a Mobilidade Urbana
Conforme afirma o governo do Pará, a Avenida Liberdade se destaca por ser a primeira via expressa da Amazônia sem interrupções, prometendo beneficiar mais de dois milhões de habitantes. A expectativa é de que a nova infraestrutura aumente a fluidez do tráfego, diminua os tempos de deslocamento e alivie o congestionamento em outros pontos da Grande Belém.
Além disso, o corredor rodoviário pode facilitar o acesso ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, promovendo melhorias nas conexões entre as regiões sul e sudeste do estado.
Preocupações Ambientais e Críticas de Comunidades
Apesar das promessas de avanço, a construção da Avenida Liberdade não está isenta de polêmicas. Moradores e ambientalistas levantam sérias preocupações sobre os impactos socioambientais gerados pela obra. Comunidades ribeirinhas que dependem da pesca e do extrativismo relatam a destruição de suas fontes de subsistência.
“Quando eles começaram a passar a máquina, eu chorei de tanta dor. Era triste ver o açaí sendo derrubado, pois aqui é o nosso ganha pão”, lamentou Ana Alice dos Santos, uma agroextrativista local. Outro ribeirinho, Ivanildo da Silva, declarou: “O peixe desapareceu. Pouquíssimos camarões conseguimos pegar agora. A água está poluída”, referindo-se à degradação do rio na área, que, segundo ele, foi afetado por rejeitos e está assoreado.
A construção da via resultou na supressão de aproximadamente 72 hectares de floresta e atravessa uma unidade de conservação, impactando, ao menos, 250 famílias de povos tradicionais. Em resposta a isso, a Defensoria Pública do Estado do Pará acionou a Justiça, alegando a falta de consultas adequadas às comunidades afetadas.
Respostas à Crítica Internacional e Ações Judiciais
Em um episódio que ganhou destaque internacional, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a obra através de suas redes sociais em novembro de 2025. Ele mencionou a suposta destruição da floresta amazônica para a construção da rodovia, chamando-a de um grande escândalo. “Devastaram a floresta do Brasil para construir uma rodovia de quatro pistas para ambientalistas. Virou um grande escândalo!”, escreveu Trump.
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), retrucou: “Em vez de falar de estradas, o presidente americano deveria apontar caminhos contra as mudanças climáticas. O mínimo que ele poderia fazer seria seguir o exemplo do Governo do Brasil e investir mais de R$ 1 bilhão para preservar florestas no mundo”.
Mais recentemente, entre os dias 23 e 26 de março, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou duas ações na Justiça Federal, buscando suspender as obras em áreas ocupadas por ribeirinhos e garantir a regularização fundiária de territórios tradicionais. O MPF destacou que as comunidades de Nossa Senhora dos Navegantes, Beira-Rio e Uriboquinha foram historicamente impactadas sem a devida consulta.
Condições Críticas e Respostas Governamentais
A construção da Avenida Liberdade não apenas provocou controvérsias legais, mas também resultou em problemas práticos, como alagamentos após as intervenções. No último dia 12, houve protestos que culminaram no fechamento da Alça Viária em Marituba, juntamente com relatos de erosão e cedimento do asfalto em trechos em construção.
Em resposta às acusações, a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) assegurou que a obra conta com licença ambiental, obtida após um processo rigoroso de licenciamento, além de acompanhamento técnico contínuo para mitigar impactos. Por outro lado, a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) informou que equipes técnicas estão presentes para avaliar os problemas relacionados aos alagamentos.
