Belém recebe 16º Fórum da Internet no Brasil com ampla programação
A partir desta segunda-feira (25/05), Belém se torna palco do 16º Fórum da Internet no Brasil (FIB16), evento que traz discussões fundamentais sobre o cenário atual da internet no país. Com mais de 1.400 inscritos, o encontro aborda temas que vão desde a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) digital até os impactos da inteligência artificial (IA) nas eleições. Organizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o fórum retorna à capital paraense após quase uma década, trazendo um olhar atualizado sobre as transformações digitais que impactam a sociedade brasileira.
Debates estratégicos focam regulação, proteção infantil e soberania digital
O FIB16 funciona como preparativo para o Fórum de Governança da Internet (IGF), promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em Belém, o Hangar Centro de Convenções recebe 52 atividades ao longo dos cinco dias de evento, que vai até 29 de maio e é gratuito, com possibilidade de participação presencial ou online mediante inscrição no site fib.cgi.br.
Renata Miele, coordenadora do CGI.br, destacou a importância de sediar o fórum na região Norte no contexto pós-COP. “A escolha de Belém é estratégica para debater os impactos da internet e das tecnologias digitais em todo o Brasil”, afirmou. Entre os principais temas estão a regulação das plataformas digitais, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital com foco no ECA Digital, e os efeitos da inteligência artificial na educação, saúde e eleições.
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Além disso, a edição levanta pautas essenciais para a amazônia e populações tradicionais, como a soberania digital indígena e quilombola, reconhecendo a diversidade do país. A conectividade significativa também ganha destaque, especialmente para a região Norte, onde desafios geográficos limitam o acesso à internet de qualidade, impactando diversas comunidades.
Impactos econômicos e sociais das infraestruturas digitais na Amazônia
O fórum reúne representantes da sociedade civil, setor privado, academia e governo, consolidando-se como o maior espaço de governança da internet no Brasil. As discussões alimentam debates internacionais, incluindo os da ONU.
Durante o evento, o Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN) apresentou uma análise sobre a instrumentalização do discurso de soberania nacional para justificar a expansão de infraestruturas digitais no Brasil. Segundo Filipe Rocha, diretor do LAPIN, a pesquisa destaca impactos concretos dessas estruturas na vida das pessoas, como o consumo elevado de água e energia, ocupação territorial e atividades de mineração.
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A situação é preocupante: alguns empreendimentos consomem energia suficiente para abastecer mais de 2 milhões de pessoas, sem consulta às comunidades afetadas. “É fundamental ouvir e garantir a participação dos brasileiros no desenvolvimento dessas políticas”, ressaltou Rocha.
O problema afeta especialmente povos originários. Áurea Anacé, liderança indígena do Ceará, relatou os efeitos da construção de um data center em território indígena sem o devido processo de consulta prévia. A pesca local está prejudicada, o nível dos rios diminuiu e as fontes de água estão secando, comprometendo atividades essenciais para a comunidade. “A escassez de água impacta nossa vida e atividades diárias”, alertou Áurea, que destacou os esforços da comunidade para enfrentar esses desafios.
Este cenário reforça a urgência de políticas inclusivas e sustentáveis para a expansão digital, especialmente na Amazônia, onde o equilíbrio entre desenvolvimento tecnológico e preservação ambiental e social é vital para o futuro da região.
